Lula e a Globo

Por ROQUE CITADINI

Vejo como natural que a mídia seja mais rigorosa – até excessivamente dura – com o candidato como Lula.

Afinal, ele é um dos grandes líderes do mundo, tendo vários mandatos e com uma marca clara: sempre esteve ao lado dos mais pobres.

E isso provoca todo tipo de reação.

Na sabatina de ontem, funcionou o tradicional DNA da mídia, que é o udenismo/lacerdismo: todo mundo tem graves erros, menos nós.

Vejo como normal a diferença de tratamento no embate com Lula, Renan, Zema ou Caiado.

Com Lula, a mídia está diante de uma liderança que tem grande adesão da população, especialmente os pobres, e com os outros a conversa pode ser amena, quase um bate-papo genérico, como um piquenique ou uma cerveja num bar.

Conversar com Renan é menos do que um papo com torcida organizada em dia de jogo irrelevante.

Com Lula, não.

Falar de ajuste fiscal com ele é saber que, com ele, não serão os pobres e aposentados os ferrados para sobrar mais espaço para os negócios da Faria Lima.

Isso ele fez a vida toda e não surpreenderá num próximo mandato.

Não me agrada esse papo da mídia de pedir desculpas sobre o erro praticado no passado.

Até porque, mesmo nas desculpas, erram novamente.

Nunca achei correto a Globo ter pedido desculpas por ter apoiado o golpe de 64.

Toda a mídia apoiou e, naquela Guerra Fria, era esse o jogo.

Poderia ter ficado sem aquela nota em que admitiu o erro.

Mas mais grave do que isso foi o maciço apoio à Lava Jato.

Neste caso, um grupo de juízes e promotores usaram a Justiça para perseguir adversários políticos.

E a mídia foi decisiva nos vazamentos que objetivavam “matar” os adversários.

Foi diferente de 64, pois aqui não havia Guerra Fria, mas sim perseguição política.

As confusões de PowerPoint entram neste balanço.

O último (do caso Master) é uma infame ação da mídia.

Quase sem perdão para todos, inclusive para os profissionais envolvidos.

Mas fiquemos calmos.

O cidadão conhece o político, não apenas por uma entrevista ou uma resposta, como também conhece a mídia pelo seu DNA e sua história.


*Publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

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