Justiça endurece contra empresa que administrou os e-sports do Santos na gestão Peres

A Justiça de São Paulo classificou como deliberada a resistência da Select E-Sports Management em apresentar documentos relacionados à exploração comercial da marca do Santos nos esportes eletrônicos.

Desde abril de 2022, a empresa descumpre ordem para entregar contratos, balancetes, relatórios financeiros e comprovantes de inscrição em competições.

Alegou ter encerrado as atividades e perdido acesso a e-mails e bancos de dados, embora seu CNPJ permaneça ativo.

Constituída em Goiânia em novembro de 2017, apenas quatro meses antes da parceria com o Santos, a Select tem Leonardo Di Prado como sócio-administrador.

Ele se apresentava como proprietário e CEO do Santos e-Sports e assinou o contrato de licenciamento pelo lado da empresa.

Marcus Vinicius Oliveira atuava como COO, mas não aparece como proprietário.

Antes disso, Di Prado havia trabalhado na Team oNe, organização fundada por Alexandre “Kakavel” Peres.

‘Coincidência’ de sobrenomes com o então presidente santista, José Carlos Peres.

Há quem afirme tratarem-se de parentes.

A parceria foi anunciada em março de 2018, três meses depois da posse de Peres, que endossou publicamente o projeto.

Vinicius Lordello, então executivo de comunicação do clube, participou como porta-voz.

O Estatuto do clube determinava que contratos fossem aprovados pelo Comitê de Gestão e assinados pelo presidente em conjunto com outro integrante do colegiado.

Na época, o órgão era formado por José Carlos Peres, Orlando Rollo, Andrés Rueda, Estevam Juhas, Fábio Gaia, Hanie Issa, José Carlos de Oliveira, Pedro Dória Mesquita e Urubatan Helou.

As decisões exigiam a presença mínima de cinco membros e aprovação por maioria simples.

Na ação, o Santos acusa a Select de ocultar receitas obtidas com patrocinadores, premiações e negociações de vagas.

Entre os documentos retidos estaria o contrato com a HotForex, que previa aportes em moeda estrangeira.

A empresa também teria vendido, sem autorização e sem repasses ao clube, vagas em competições de Free Fire, Rainbow Six e Counter-Strike.

Como as multas anteriores não surtiram efeito, o juízo determinou que Globo e DC Set, responsáveis pela gestão do Campeonato Brasileiro de Counter-Strike, apresentem, em 15 dias, os contratos firmados com a Select e todos os pagamentos realizados.

A empresa ainda foi advertida de que poderá receber multa de até 20% do valor atualizado da causa por ato atentatório à dignidade da Justiça, além de responder nas esferas civil, criminal e processual.

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