Flamengo comete grave erro em reforma estatutária

O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou ampla reforma estatutária sob o argumento de profissionalizar a gestão.
A proposta passou por 643 votos a favor (93%), 47 contra e seis abstenções.
Há avanços importantes, como executivos remunerados, exigência de qualificação técnica, planejamento e regras contra nepotismo.
O problema está na excessiva concentração de poder nas mãos do presidente.
O novo Conselho Gestor terá atribuições de direção estratégica e supervisão da administração, mas boa parte de seus integrantes será livremente nomeada — e poderá ser destituída — pelo próprio presidente.
Cria-se, assim, uma contradição evidente: quem deveria fiscalizar e supervisionar a gestão fica dependente de quem está sendo fiscalizado.
Além disso, o presidente comandará o colegiado, terá voto de desempate, poderá vetar determinadas decisões e, em situações consideradas urgentes, decidir sozinho sobre matérias que seriam de competência coletiva.
É importante registrar que o Conselho Fiscal tradicional não ficou subordinado ao presidente e mantém suas prerrogativas estatutárias.
Ainda assim, o desenho do Conselho Gestor enfraquece os contrapesos internos.
Profissionalizar não significa apenas contratar bons executivos; exige também fiscalização independente.
Estatutos não devem ser construídos pensando apenas no atual ocupante do cargo, mas também na possibilidade de futuros presidentes menos responsáveis.
O Flamengo modernizou sua administração, mas corre o risco de profissionalizar a base enquanto fortalece excessivamente o presidencialismo no topo.

