Composição de chapa oposicionista do São Paulo tem um nome preocupante

Circula nos bastidores que a oposição do São Paulo fechou a chapa que pretende disputar o comando do clube nas próximas eleições.
Marcelinho Portugal Gouvêa, será candidato a presidente, tendo Carlos Henrique Sadi como vice.
Fábio Castello Branco Mariz de Oliveira concorrerá à presidência do Conselho Deliberativo, com Caio Augusto de Moraes Forjaz de vice.
Flávio Angerami Marques Junior e Daurio Speranzini Junior deverão integrar o novo Conselho de Administração.
A composição reúne personagens que há bastante tempo circulam pela política tricolor, alguns deles com histórias já abordadas pelo Blog do Paulinho.
O caso que merece maior atenção é o de Daurio Speranzini Junior.
Em outubro de 2020, antes de sua eleição para o Conselho Deliberativo do São Paulo, revelamos que ele havia sido preso pela Polícia Federal.

Daurio foi detido em julho de 2018 na Operação Ressonância, investigação sobre supostas fraudes em licitações e contratos para fornecimento de equipamentos médicos no Rio de Janeiro.
Na ocasião, era presidente da General Electric para a América Latina e anteriormente havia comandado a Philips Medical no Brasil.
O Ministério Público Federal denunciou Speranzini no âmbito da investigação, atribuindo-lhe participação em organização criminosa e fraude a licitação.
Daurio permaneceu mais de um mês preso até obter habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes.
Apesar das informações reveladas pelo Blog antes da eleição, os associados do São Paulo decidiram elegê-lo, em dezembro de 2020, pela chapa Legião Tricolor, então vinculada ao grupo que apoiava Julio Casares.
Em dezembro de 2024, o mesmo Gilmar Mendes determinou o trancamento da ação penal contra Daurio, entendendo que a acusação não havia individualizado adequadamente sua participação.
O histórico, porém, existe e é relevante para os associados que decidirão quem administrará o São Paulo, principalmente porque Speranzini deverá ocupar posição importante no Conselho de Administração caso a chapa seja eleita.
O executivo ainda voltou às páginas deste Blog em 2022, quando documentos apresentados judicialmente pelo fisiologista Turíbio Leite de Barros mostraram sua participação na chamada Divisão de Excelência Médica do São Paulo.
Segundo Turíbio, dos nove integrantes do órgão apenas três possuíam expertise na área da saúde.
Depois da queda de Julio Casares, Daurio e Flávio Marques passaram a atuar justamente na reorganização administrativa do São Paulo, como assessores especiais de Orçamento e Controle da gestão Harry Massis.
Agora ambos deverão compor o novo Conselho de Administração.
Marcelinho Portugal Gouvêa, cabeça da chapa, é filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que comandou o clube durante uma das épocas mais vitoriosas de sua história.
Dos raros cartolas com fama de honestidade.
Advogado e conselheiro, Marcelinho participa há anos da política tricolor.
Ele também esteve entre os conselheiros que participaram do movimento pela saída de Julio Casares.
Carlos Henrique Sadi, candidato a vice-presidente, é advogado, conselheiro e atualmente integra a Comissão de Ética do São Paulo.
O conselheiro possui ligação familiar conhecida com dois jornalistas do Grupo Globo: é pai de Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews, e sogro de André Rizek, jornalista esportivo e apresentador do SporTV.
Para comandar o Conselho Deliberativo, a oposição escolheu Fábio Castello Branco Mariz de Oliveira, advogado criminalista pertencente à conhecida família Mariz de Oliveira.
Caio Forjaz, escolhido para vice-presidente do Conselho Deliberativo, possui uma história peculiar dentro do próprio São Paulo.
Em fevereiro de 2021, o informamos que sua candidatura ao Conselho Fiscal havia sido cassada pela Comissão Eleitoral sob alegação de problema com o comprovante de endereço.
Forjaz recorreu à Justiça.
A 3ª Vara Cível do Butantã inicialmente impediu a realização da eleição e, posteriormente, determinou que o São Paulo restabelecesse sua candidatura.
Anos depois, o próprio Forjaz faria denúncias muito mais graves sobre o funcionamento político do clube.
Em dezembro de 2025, este Blog repercutiu declarações do conselheiro no podcast Os Tricolacos.
Forjaz afirmou que cédulas previamente preenchidas seriam distribuídas aos associados com os candidatos escolhidos pelos grupos políticos e falou também na concessão de benefícios, entre eles ingressos para shows, como instrumento de fidelização eleitoral.
Acusações, por óbvio, gravíssimas.
Agora, quem denunciou publicamente aquilo que descreveu como um sistema eleitoral viciado pretende assumir justamente a vice-presidência do Conselho Deliberativo.
Flávio Marques tornou-se conhecido como crítico das contas e da administração Casares.
Depois da queda do Presidente, passou a colaborar com a administração Harry Massis e, ao lado de Daurio Speranzini, assumiu funções relacionadas ao orçamento, controle e reorganização administrativa do clube.
O São Paulo precisa de uma mudança radical de rumo se quiser retomar os tempos de glória do passado e, para isso, não pode mais errar na escolha das pessoas que deverão encabeçar essa retomada, sob o risco de se manter nessa espiral descendente que conduz seu torcedor a uma sucessão de decepções.

