Assim como os brasileiros, cartolas argentinos não devem mais viajar

Se as investigações noticiadas pela imprensa argentina e espanhola tiverem fundamento, Claudio “Chiqui” Tapia e os demais dirigentes da AFA escaparam de um problema ainda maior ao conseguir retornar à Argentina.
Segundo Infobae, Clarín e As, o FBI teria apreendido celulares de integrantes da cúpula da AFA antes da volta da delegação vice-campeã mundial para Buenos Aires.
Os dirigentes seriam investigados por fraude, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo cerca de US$ 300 milhões.
A situação remete ao escândalo da FIFA que atingiu a antiga cúpula da CBF.
Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero foram denunciados pela Justiça americana por crimes ligados ao recebimento de propinas em contratos de marketing esportivo.
Desde então, evitam deixar o Brasil para não correrem o risco de prisão.
José Maria Marin teve destino diferente.
Foi preso na Suíça, a pedido dos Estados Unidos, extraditado, julgado em Nova York e condenado por conspiração, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
A legislação americana permite processar estrangeiros quando parte dos crimes envolve o sistema financeiro, empresas, contas bancárias ou meios de comunicação sediados nos Estados Unidos.
É por isso que dirigentes de outros países podem responder perante a Justiça americana mesmo quando os fatos tenham ocorrido, em grande parte, fora do território norte-americano.
Intimados a depor no processo, é pouco provável que os cartolas argentinos se arrisquem a comparecer.
Assim como ocorreu com os dirigentes brasileiros envolvidos no escândalo da FIFA, deverão passar os próximos anos usufruindo das benesses locais, sem poder sequer atravessar a Ponte da Amizade.
Sem o escudo representado por Lionel Messi, que, pelos resultados em campo e pelo brilho de seu desempenho, ajudava a desviar os holofotes dos desmandos da AFA, tendem a vir à tona não apenas os escândalos investigados, mas também a realidade do futebol argentino: cada vez mais deficiente na formação de grandes jogadores e estruturalmente deficitário na administração de seus clubes.

