Os erros de Ancelotti

Fornecido o desconto por ter iniciado o trabalho na Seleção Brasileira no último ano de um ciclo de quatro, herdando, efetivamente, terra arrasada no que diz respeito ao planejamento da CBF e também nos aspectos técnicos, táticos e de mão de obra — com exceção apenas de Vini Júnior —, o treinador Carlo Ancelotti cometeu erros que precisam ser apontados e corrigidos para 2030.
Convocar Neymar foi sujeitar-se a pressões externas em detrimento do objetivo maior.
Ontem, após modificar corretamente um time que era dominado pela Noruega e que, com a entrada de Endrick no comando do ataque, passou a agredir o adversário, o treinador, sabe-se lá se por esperança no passado ou por ingerências do presente, colocou o ex-jogador em atividade como falso centroavante e deslocou a estrela que brilhava para a ponta direita.
O desastre pôde ser constatado na queda de desempenho da equipe e no placar final.
Esse erro é do treinador, independentemente do caos que o cerca.
Por fim, apenas para registro, mas não menos importante, está o fato de Ancelotti, na condição de treinador da Seleção Brasileira, prestar-se ao papel de garoto-propaganda de produtos nocivos à sociedade.
Neste caso, com o aval da bandida CBF.
Que todos esses erros sirvam de exemplo para que não sejam repetidos nos próximos quatro anos.
E que a imprensa passe a cobrá-lo como normalmente faz com os treinadores nacionais, porque, se, de fato, Ancelotti é muito melhor do que a mão de obra que temos por aqui, isso não o isenta de críticas nem da obrigação de apresentar resultados e comportamento compatíveis com a responsabilidade assumida e com os R$ 5 milhões mensais que embolsa.

