Corrupção da Kalunga pode contaminar o Corinthians

O Valor Econômico, em reportagem sobre as investigações que apontam grandes varejistas envolvidas em fraudes para sonegação de impostos mediante pagamento de propinas a fiscais, evidencia a participação da Kalunga no esquema.

Destacamos os seguintes trechos:

“A direção da varejista Kalunga corrompeu por 31 vezes, por meio de empresas laranjas, funcionários públicos num esquema de fraudes de créditos de ICMS, alvo da Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2025.”

“Hélio Antônio, gestor tributário da Kalunga, que recebeu a oferta dos serviços da quadrilha de fiscais, dizia que o ‘serviço’ oferecido encontrava resistência na cúpula pelo alto preço cobrado pelos funcionários da Secretaria da Fazenda de São Paulo, apurou o Valor.”

“A Kalunga não se manifestou.”

“‘O barato sai caro’, respondeu, em mensagem a Antônio, em outubro de 2022, Artur da Silva Neto, apontado como o cérebro do esquema que criava, antecipava e acelerava a liberação de créditos fiscais para mais de duas dezenas de companhias.”

“A empresa foi aliciada para participar do esquema com a promessa do ganho fácil e rápido dos créditos.”

“A Kalunga pagou R$ 4 milhões às empresas de fachada em notas fraudulentas do esquema sob investigação, de 2019 a 2025, segundo apuração da reportagem baseada em informações dos autos.”

É gravíssimo, mas não surpreende.

Paulo Garcia, dono da Kalunga, já esteve envolvido em diversas nebulosidades, não apenas na empresa, mas também em outros negócios do grupo.

Um exemplo foi a ocasião em que foi acusado de tentar aplicar um golpe na JBS, ao fornecer bois magros enquanto cobrava, nas notas fiscais, animais de linhagem superior, situação que, segundo as acusações da época, provocou a morte dos animais em condições insalubres de transporte.

O empresário também se fez presente no Corinthians.

Há vídeos que mostram Antonio Rachid, funcionário da Kalunga, comprando votos de eleitores do clube para a campanha de Paulo Garcia à presidência.

Além disso, outro homem de sua confiança — talvez o principal — é o atual diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovesan, que também exerceu funções durante gestões da Renovação e Transparência, inclusive na administração de Roberto Andrade, período marcado por escândalos envolvendo balanços contábeis e pelos controversos acordos firmados com gestoras do estádio — uma delas investigada por ligação com o PCC —, além da reorganização, em prejuízo do clube, das pendências com a Caixa Econômica Federal.

Piovesan ocupa, na Kalunga, os cargos de vice-presidente do Conselho de Administração — abaixo apenas de Paulo Garcia — e de coordenador do Comitê de Auditoria, ou seja, chefia justamente a área que, aparentemente, fechou os olhos para, ou eventualmente poderia ter detectado, o esquema de corrupção apontado pelo Ministério Público de São Paulo e revelado pelo Valor Econômico.

Urge a expulsão dessa gente do Parque São Jorge.

O Corinthians não pode ter na diretoria um dirigente responsável pelas finanças que ocupa posição de comando em uma empresa apontada, segundo investigação do Ministério Público, como corruptora de fiscais do Estado.

Muito menos deveria permitir que o chefe desse dirigente seja a principal influência sobre o atual presidente do clube.

Paulo Garcia também financiou a campanha de Andrés Sanchez a deputado federal quando se apresentava como seu adversário político no Parque São Jorge e, posteriormente, trocou o apoio de seus aliados durante o processo de impeachment de Roberto Andrade por cargos na diretoria do Corinthians.

Um deles foi justamente cedido a Emerson Piovesan.

O Corinthians tornou-se um grande esgoto, no qual os ratos mais imundos posam de bastiões da moralidade.

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