Por que uma promessa do Corinthians foi parar no Moreirense?

Há anos, muitos jovens atletas vêm sendo desviados das categorias de base de clubes brasileiros para equipes menores de Portugal.

Não há justificativa financeira, muito menos esportiva, que explique essas operações.

A não ser dinheiro por fora dos caixas das agremiações.

Na Seleção Brasileira há vários exemplos.

Muitos nomes eram pouco conhecidos dos torcedores tupiniquins porque foram levados ainda garotos das categorias de base em que se formaram.

Ontem, nesse contexto, o Corinthians oficializou a transferência do jovem Dante, de apenas 18 anos, para o Moreirense, de Portugal.

De graça, alegando, como se fosse grande vantagem, permanecer com 20% dos direitos econômicos em uma venda futura.

O clube abre mão de lapidar uma promessa que ainda teria mais dois anos de categoria sub-20 para se comportar como vendedor comissionado de equipes menores da Europa.

Quanto não valeriam 100% dos direitos de Dante se ele se firmasse como titular do clube do Parque São Jorge ou, até mesmo, se fosse apenas um atleta para compor elenco, o que, por óbvio, é muito mais relevante do que a titularidade do Moreirense?

Pior: anuncia-se que ele será utilizado inicialmente no time sub-23 da agremiação portuguesa.

Por que, então, a negociação existiu?

Pelas mesmas razões de sempre: empresário ganhou e repassou — ou repassará — ao cartola facilitador.

Apenas a título de informação, sem surpreender o leitor deste blog, o agente que mais movimenta negócios no Moreirense, utilizado como vitrine para experiências, é Giuliano Bertolucci, sócio de Kia Joorabchian.

Não precisam ser explicadas as ligações de ambos com dirigentes alvinegros, tamanha a notoriedade delas.


EM TEMPO: não fosse pelas falcatruas de uma base que, à época, era controlada pelo Centrão, Bruno Guimarães teria permanecido no Corinthians quando tentou ingressar no clube, ainda menino, mas foi desviado, antes mesmo da formalização da documentação, para o Audax e, posteriormente, para o Athletico Paranaense, que era o clube do bolso do cartola responsável pela base naquele período.

O mesmo ocorreu com Gabriel Martinelli, levado “de graça” do Parque São Jorge para o Ituano.

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