Paraisópolis sob o jugo diário do PCC

Da FOLHA

EDITORIAL

  • Como descrito pela Folha, moradores têm direitos fundamentais infringidos pelo controle da facção
  • PCC cobra taxas de comerciantes e bloqueia ruas; além de inteligência investigativa, é preciso maior presença do Estado nas comunidades

Em maio de 2006, uma onda de ataques perpetrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança do estado de São Paulo deixou o saldo macabro de 564 mortos, sendo 59 agentes e 505 civis. Passados 20 anos, a facção só fez expandir seu raio de ação, e o mesmo se deu com outros grupos como o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, em 2024, PCC e CV já atuavam em mais de 20 estados e em prisões de 24 estados e do Distrito Federal. Estenderam, ainda, suas atividades ilícitas a vizinhos sul-americanos.

Além da expansão territorial, verificam-se a diversificação dos negócios, não mais restritos ao narcotráfico, e o recrudescimento do controle sobre as comunidades, solapando direitos fundamentais dos cidadãos.

Sinais deste último fenômeno, já bastante conhecido no Rio de Janeiro, foram captados pela Folha, que visitou a favela Paraisópolis —a maior de São Paulo e 3ª maior do país, com 58,5 mil habitantes— e ouviu seus moradores.

De acordo com os relatos, incluídos os de promotores de Justiça e de policiais, o PCC impõe cobrança de taxas a comerciantes, bloqueio de vias de acesso e fiscalização das atividades das organizações sociais. Com auxílio de um drone, foi filmado um desses bloqueios, feito com grade de ferro e vigiado por dois homens.

Paraisópolis também se tornou uma espécie de última instância do chamado tribunal do crime. Lá, integrantes e lideranças do bando são “julgados”, com punições que chegam à morte.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) negou a existência desse cenário de controle rígido pelo PCC. Contudo, no domingo (3), menos de 24 horas após a publicação da reportagem, agentes da Polícia Militar realizaram operação para retirar bloqueios de ruas em Paraisópolis.

O fortalecimento do PCC e de outras facções está relacionado ao erro central de tratar o crime organizado como um problema episódico de polícia, não como um fenômeno de convergência entre domínio dos presídios, política, mercado e economia.

Mais do que o necessário policiamento ostensivo, é preciso inteligência na investigação de redes de financiamento ilegais e de corrupção de agentes públicos.

Ademais, a situação em Paraisópolis e em outras comunidades do país mostra como a ausência do Estado —em urbanismo, educação, lazer, saúde— facilita o controle violento exercido pelas facções. Agora, é preciso trabalho redobrado para livrar essa população do jugo diário do crime.

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2 Comentários

  1. Perdao Paulinho mas se a policia vai pra cima e age severamente, voces falam um monte… Estranhamente ninguem se preocupou com o pm ferido gravemente no pescoço e o delegado morto pelo mesmo bandido!! Tenho um amigo aposentado da pm… foi em varios velorios na qual ninguem da imprensa foi ver como estavam as familias… detalhe mortos em abordagens consideras tranquilas, ver documentos e em segundos de distração dos mesmos q custou a vida!

  2. Lembrei de uma coisa pra vc investigar… se nao existe um controle de km das autoridades pra evitar gastos de combustivel… seria beeeeeeeeeeeeeeem interessante… se carro gasta muito deveriam usar moto! muito mais economica e eficiente

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