Rogério Micale transformou barro em Ouro no futebol brasileiro das Olimpíadas

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Inteligente, como de costume costuma ser, o treinador Tite ao, generosamente, permitir que o time olímpico do Brasil fosse dirigido por Rogério Micale, não poderia imaginar, naquele momento, o enorme benefício que estaria ocasionando ao nosso futebol.

O barro se transformou em Ouro, no final.

Micale recebeu em mãos uma geração de atletas enfraquecida pelo atual sistema que domina os rumos do futebol nacional, em que as categorias de base servem apenas de entreposto para a atuação maléfica e quase sempre corrupta de empresários e dirigentes, pouco contribuindo para a formação esportiva e comportamental dos jogadores.

Havia ainda a desconfiança do torcedor, que não se empolgava mais com a Seleção, e os problemas com Neymar, que bem trabalhado poderia se tornar (como ocorreu) a solução, ou, sem juízo, a âncora da decepção.

Antes de tudo, corajoso, o treinador decretou: o Brasil, em sua gestão, jogaria o verdadeiro futebol brasileiro, para frente, sem medo de ser feliz.

Apesar da evidente competência do trabalho, Micale teve um início de Olimpíadas difícil, em que o time não se acertava no ataque e encontrava dificuldades para compor o meio campo, boa parte porque os atacantes (quatro) tinham dificuldade de executar a função, alternada, de recompor a marcação durante o contragolpe adversário.

Fora de campo, existia ainda o descompromisso de Neymar e mais alguns “parças”, três deles jogadores do grupo, que não enxergavam problemas em dividir a disputa olímpica com alguns momentos de esbórnia, com o agravante de explicitá-las em rede social.

Com os resultados negativos (dois empates) diante de equipes muito inferiores, duas intervenções se fizeram presentes, e foram, graças a humildade de Micale, decisivas para mudar os rumos da Seleção Brasileira nos Jogos.

A primeira delas foi aceitar o conselho de Tite para, em vez de colocar quatro atacantes com revezamento de um deles para compor a marcação quando do contragolpe adversário, trocasse uma das peças por meio-campista de vocação ofensiva, que daria mais equilíbrio ao time, sem contrariar, mas fortalecendo ainda mais o esquema de jogo vislumbrado para as Olimpíadas.

E assim se fez, com absoluto sucesso.

A outra intervenção foi do público, que, nas mídias sociais e também dos estádios passou a apontar, com gritos e apupos, os que, apesar da fama, não demonstravam compromisso com a Seleção Brasileira.

Neymar estava entre os reclamados.

Por sorte, não se sabe se por iniciativa própria ou aconselhado por quem dele necessita para sobreviver, o astro do Barça mudou o comportamento, parou de “jogar” fora de campo, começou a se doar dentro dele, com postura de líder e futebol que todos conhecem, fator este decisivo para incorporar ao ofensivo, mas mediano time de Micale, o diferencial de qualidade necessário para a conquista.

O Brasil, enfim, impôs-se sobre adversários (como tem que ser), todos inferiores, e jogou como gente grande, contra uma Alemanha, apesar de sub-23, de boa qualidade, chegando ao Ouro olímpico sem abrir mão do futebol bem jogado.

Por todos os fatores elencados, Rogério Micale é o nome maior de nossa vitória nas Olimpíadas.

Mais ainda do que Neymar.

Tomara o treinador Tite se inspire na ofensividade da equipe medalha de Ouro e consiga mescla-la com seus vitoriosos conceitos técnicos, para que o resgate do futebol brasileiro seja completado, fator este que, em consequencia, trará de volta a paixão do torcedor pela Seleção.

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