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Terrivelmente bolsonarista

O que já ficou claro é que, mesmo que ele não seja terrivelmente guiado por suas crenças em sua possível atuação como magistrado, ele tem sido terrivelmente bolsonarista em sua passagem pelo governo. Isso deveria ser suficiente para que o nome fosse reprovado pelo Senado. Mas, como sabemos, as instituições não estão funcionando.

Mendonça, para agradar ao chefe, já apelou à Lei de Segurança Nacional para enquadrar críticos do presidente, pediu a abertura de inquéritos contra políticos e jornalistas. Sobrou até para um professor. Em plena pandemia descontrolada, entrou com ação contra os estados para suspender decreto que proibia atividade religiosas.

Não é exagero a preocupação com a sua indicação. Temos ministros intelectualmente fracos, menores do que a enormidade de um cargo desse. Mas as dúvidas sobre a presença conservadora de Mendonça são ainda maiores do que aquelas sobre sua competência profissional.

Ela pode dificultar ainda mais as discussões sobre pautas que o Congresso ignora, mas que são importantes para a sociedade, e que o STF, com seu caráter progressista, tem garantido. Pior, com a vassalagem demonstrada até agora, pode servir a Bolsonaro para que as tais pautas dos costumes virem trunfos eleitoreiros.

Em conversa com jornalistas, o presidente disse que fez apenas um pedido ao seu indicado. Zelar pela Carta Magna brasileira? Claro que não. Ele quer que o pastor presbiteriano comece a sessão da corte com uma oração, uma vez por semana, e garantiu que “isso já está fechado”. Mendonça poderá ficar 27 anos no Supremo e tudo o que Bolsonaro pede é que ele reze. Que Deus —se é que ele existe— tenha piedade de nós.

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