Participantes do ‘esquema’ revelado pelo jogador Léo Príncipe permanecem em cargos relevantes no Corinthians (com documentos)

Ontem (09), repercutiu nas mídias sociais entrevista concedida pelo lateral Léo Príncipe (24), atualmente no São José/RS, ao canal de YouTube ‘Duda Garbi’.
Inocentemente, o atleta contou como saiu da condição de desempregado para, sem a realização de nenhum teste, jogador do Corinthians, com direito a contrato assinado por três anos:
“Um rapaz me chamou no Facebook e perguntou se poderia ser meu empresário, ele disse que trabalharia meu nome. Passou um, dois meses e de repente ele me ligou falando que tinha três times para mim. Eu pensei que era um clube do tamanho do Madureira ou Boa Vista, mas ai o empresário disse que era o Corinthians, Santos e Cruzeiro”
“Aí eu falei “ué, tem alguma coisa errada ai”. Eu estava desempregado há um tempo… Ele falou que a gente ia primeiro no Corinthians para fazer todo o processo”, disse”
“Cheguei no Parque São Jorge e me falaram que fariam um contrato de três anos para mim. Sem nada, só chegou e me ofereceram o contrato. Perguntei se não era teste, mas me falaram que eu já estava contratado, que o treinador havia gostado do meu nome e que iriam me contratar”
Trata-se de um esquema comandado pelo ex-presidente Andres Sanches, auxiliado por diversos personagens que ainda infelicitam o Parque São Jorge e o CT de Itaquera.
O Cooptador

O responsável pela abordagem a Léo Príncipe foi Alysson Marins, atual ‘Observador Técnico’ do departamento de futebol profissional, ao lado de Mauro ‘Van Basten’, também nome de confiança do ex-mandatário alvinegro.
À época ele era colaborador das categorias de base.
Chegou a ser afastado, após repercussão do escândalo envolvendo o ex-gerente Fabio Barrozo, mas, depois que a poeira assentou, retornou, pelas mãos de Andres Sanches, promovido ao departamento profissional.

Alysson é tão próximo de Andres que chegou a dividir apartamento com Lucas Sanchez, filho do cartola, no Rio de Janeiro.
Pelas mãos dele, desde 2013 – quando foi contratado – chegaram dezenas de atletas de nível semelhante ao de Príncipe.
O Contrato

Léo Príncipe chegou ao Corinthians, ainda jovem, em 2014, assinando contrato de 03 anos, com aval de cartolas e do treinador Osmar Loss, participe ativo do negócios de Andres Sanches, a ponto de ser recompensado com a efetivação, tempos depois, na equipe principal.
O presidente do clube era o delegado Mario Gobbi.
Em 2017, chegou o momento da renovação.
Um mês antes de assinar contrato, Léo Príncipe foi orientado a abrir uma empresa, que levou seu próprio nome, para, aparentemente, beneficiar seus ‘colaboradores’ através do pagamento de ‘direitos de imagem’ (comprovaremos mais à frente).
A ‘Léo Peixoto Principe – Eventos Esportivos’ nasceu em 07 de fevereiro de 2017:

Em 08 de março de 2017, o vínculo de Príncipe com o Timão foi formalizado, parte dele na CLT, outra no acordo de imagem.
O Blog do Paulinho teve acesso a esse documento, assinado pelo então presidente Roberto Andrade, e também à Nota Fiscal emitida pelo jogador.
R$ 120 mil, em três parcelas de R$ 40 mil, foi o acerto.
Os salários, segundo informações de bastidores, atingiriam R$ 120 mil mensais.


Os intermediários

Andres Sanches, seja nos negócios realizados no futebol, como também nos ‘golpes de arara’ pelos quais está sendo investigado – um deles, com condenação judicial (Orion Embalagens), tem por hábito ocultar-se das documentações oficiais.
Na vida particular, esconde-se atrás de irmãos, primos e até do filho.
No submundo esportivo, utiliza-se, em regra, de agentes de jogadores que circulam pelo Corinthians.
Um dos mais fiéis é Marcelo Robalinho, através da sua ‘Think Ball’.
Foi a ele que, além dos valores mensais de CLT (especulados em R$ 120 mil mensais), de imagem (outros R$ 120 mil), o Corinthians aceitou pagar R$ 156 mil de comissão, divididos em três parcelas de R$ 52 mil, o que sugere, levando-se em consideração um percentual tradicional de 10%, que outro R$ 1,5 milhão pode ter sido pago por ‘pedaços’ dos direitos econômicos de Léo Príncipe.
Em 06 de junho de 2017, a Think Ball enviou email ao departamento financeiro do Corinthians, cobrando atraso no pagamento de duas dessas parcelas, além de outras pendências do clube, também por intermediação de atletas:

Em 10 de abril de 2017, comprovando que os valores acertados no contrato de imagem de Léo Principe, apesar de assinados por suas pessoas física e jurídica, foram destinados à Think Ball, Robalinho enviou email ao financeiro do Corinthians com Nota Fiscal anexa, deixando claro tratar-se de ‘direito de imagem’, não comissão:

A influência de empresário é tão grande que um dos principais funcionários da ‘Thik Ball’, o ex-goleiro Yamada, foi empossado no cargo de gerente das categorias de base do Corinthians.

É importante esclarecer que todos os personagens envolvidos nesse negócio, excetuando-se a ‘mercadoria’ (Léo Príncipe), permanecem no Corinthians, quando não em cargos diretivos, inclusive a presidência (Duilio do Bingo era o diretor de futebol à época), no Conselho Deliberativo ou, como no caso de Robalinho e doutros agentes, à espera de oportunidades.
