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Meu negócio vai contratar apenas ex-assessores da família Bolsonaro

Michelle Bolsonaro quer censurar a música Micheque, dos Detonautas - Brasil 247

Da FOLHA

Por CLAUDIA TAJES

Quando eu não puder pagar uma prestação, quero a paz de estar em um churrasco com o PM e ele quebrar essa para mim

Decidi virar empresária. Não pequena empresária, dona de confecção na sala de casa ou de uma confeitaria na minha cozinha. Serei grande, como alguns dos mais bem-sucedidos exemplos desses nossos tempos.

Uma véia da Havan.

Mas atenção: usarei o método Magazine Luiza, que abriu vagas exclusivamente para trainees pretos e causou uma gritaria nas redes sociais. Racismo reverso, disseram os militantes da causa branca. Desculpe, mas a nós, brancos ofendidos, ainda sobra muito antes que se possa falar em racismo.

Voltando ao processo seletivo da minha empresa. Tal qual a Magalu, só aceitarei um tipo de quadro. Quem não atender ao requisito, não precisa nem enviar currículo. Meu negócio vai contratar apenas ex-assessores da família Bolsonaro, escudeiros fiéis que dão o sangue por seus empregadores.

E dão até o dinheiro que nem têm. Farei isso para acumular capital, que hoje não possuo. Todo mundo sabe que não é fácil ser um grande empresário. O presidente já disse que é hor-rí-vel ser patrão no Brasil. O véio da Havan é obrigado a sonegar impostos para manter seu império. É mole?

Não haverá distinção entre mulheres e homens. Não discriminarei cor de pele. Pessoas gordas ou magras. Héteros ou LGBTQIA+. Todos os ex-funcionários dos Bolsonaros serão admitidos, desde que me repassem parte de seus salários a cada fim de mês. Com uma medida simples dessas, um deputado já comprou mais de 19 imóveis com dinheiro vivo.

Se funciona na vida pública, por que não privatizar a rachadinha?

Quando eu não puder pagar a prestação do meu apartamento, quero a paz de estar em um churrasco com o PM que me presta serviços informais, e ele quebrar essa para mim. Não confio em aplicativo de banco e só falta ter que ir à agência bem na hora da picanha.

Funcionários dos meus parentes que me adiantem uns R$ 250 mil em espécie para as despesas mais urgentes serão homenageados na nossa festa de fim de ano. É desejável, também, que alguém pague as mensalidades da escola e do plano de saúde da minha filharada.

Tudo muito simples, mas talvez eu precise de um bom gerente para organizar o fluxograma. Alguém sabe se o Queiroz está no LinkedIn?

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