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Juíz de Direito revela detalhes sobre facilitação do Presidente do Conselho aos compradores de votos do Corinthians

“Infelizmente, volto a dizer, é um absurdo o que acontece no Corinthians nessa parte política… eu acho lamentável… lamentável”

“Dá vontade (de largar tudo), porque você ve esse tipo de coisa… não quer julgar… não quer apurar… ou seja, valeu a pena (o infrator) ter feito o que fez”

(Dr. Fábio Soares, juíz de direito, em entrevista ao jornalista Fredy Junior)


Dias atrás, o Movimento Corinthians Grande disse ter ingressado com recurso contra a decisão, deplorável, do desembargador Ademir Benedito, que, na condição de presidente da Comissão de Ética e Disciplina do Timão, absolveu, sumariamente, os acusados de compra de voto nas eleições alvinegras de 2018.

Na verdade, tratou-se de iniciativa do juíz de direito Fábio Soares, abraçada, posteriormente, pelo grupo.

Eram investigados: Paulo Garcia, Antonio Rachid, André Negão, Eduardo ‘Gaguinho’ Ferreira e Eduardo Caggiano.

As provas, robustas, incluiam desde gravações até recibos de pagamentos.

Ontem, Ademir Benedito disse que não havia recebido nenhuma reclamação.

De fato, não recebeu.

Apesar da decisão ter ocorrido na Comissão de Ética, o recurso, seguindo o art. 37 do Estatuto do Corinthians, foi protocolado no Conselho Deliberativo, para análise de seu presidente, Antonio Goulart.

Foi quase como pedir para o Papa condenar Jesus Cristo.

Goulart é homem de Paulo Garcia (o mais implicado nas acusações), a quem deve favores diversos e obedece, fielmente, na política alvinegra.

Não deu outra: o recurso foi indeferido, sem julgamento do mérito, sob alegação de que os proponentes não eram parte do processo, apesar de inexistir qualquer proibição a respeito esclarecida no Estatuto do Corinthians.

O Art. 31 diz que:

“As propostas de aplicação de penalidades poderão ser apresentadas por qualquer associado à Comissão de Ética e Disciplina”.

Quem protocolou a primeira reclamação, negada por Ademir Benedito, foi outro desembargador, Miguel Marques e Silva.

Com relação ao recurso, promovido pelo juíz Fabio Soares, com adesão do ‘Corinthians Grande’, o art. 37 não especifica a necessidade da peça ser assinada pelas partes do processo, apenas que precisa ser protocolado no prazo máximo de dez dias:

Diante da esdrúxula negativa de Goulart, tudo indica, para facilitar a vida do empresário Paulo Garcia, caberiam duas soluções: ação na Justiça Comum ou interposição de novo recurso, no CD, através do Dr. Miguel Marques, que, em tese, seria a ‘parte’ proponente, já que todas as outras, na condição de investigados, não possuem, por razões óbvias, interesse em fazê-lo.

Se o assunto encerrar-se por aqui, o Corinthians, de maneira constrangedora, partirá para a próxima eleição sabedor de que irregularidades cometidas por determinados grupos de pessoas, ligadas aos poderosos alvinegros, serão toleradas.

Aparentemente, como diria a gíria popular: “está tudo dominado”.

Enquanto Goulart, presidente do Conselho, come nas mãos de Garcia, Ademir Benedito, partidário de Andres Sanches e, por consequência, dos demais absolvidos pela acusação de compra de votos, ocupa quatro posições relevantes no Parque São Jorge: Conselheiro Vitalício, Vice-Presidente do Conselho (ou seja, de Goulart), Presidente da Comissão de Ética e membro da Comissão Eleitoral.


Ontem (03), o juíz de direito Fábio Soares, idealizador do recurso, em entrevista ao canal de YouTube do jornalista Fredy Junior, detalhou o favorecimento aos supostos compradores de votos do Timão.

O Blog do Paulinho transcreveu os trechos mais relevantes:

“Eu entrei com recurso, assinado pelo pessoal do ‘Movimento Corinthians Grande’, pelo pessoal da chapa ‘Valores’…”

“(…) mas eu recebi hoje… (…) eu abri a caixa de email e tinha a resposta do recurso”

“Então está escrito assim: “em resposta ao recurso apresentado… (os conselheiros que assinaram) não figuram como partes no processo sob análise, por essa razão o presente recurso não pode ser acolhido, devendo ser arquivado sem que seu mérito seja apreciado… de-se ciência aos seus signatários”… assina Antonio Goulart dos Reis, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians”

‘A decisão do presidente do Conselho Deliberativo é no sentido de que o recurso não pode ser acolhido porque os demais conselheiros, nem os demais sócios, foram partes… isso é um fato, sem juízo de valor nenhum…”

“Juízo de valor que eu faço: quem poderia recorrer dessa decisão? Ninguém !”

Em determinado momento, o magistrado não conseguiu esconder sua indignação:

“Infelizmente, volto a dizer, é um absurdo o que acontece no Corinthians nessa parte política… eu acho lamentável… lamentável”

“Dá vontade (de largar tudo), porque você ve esse tipo de coisa… não quer julgar… não quer apurar… ou seja, valeu a pena (o infrator) ter feito o que fez”

“Em tese, ele (Goulart) poderia fazer isso, do jeito que fez, como ele poderia falar: “olha, de fato, muito embora não sejam partes, os fatos precisam ser apurados… são fatos graves… ele poderia…”

Por fim, a desconfiança de favorecimento a Paulo Garcia é também sugerida pelo juiz:

“Dizem, não sei, que ele (Goulart) é uma pessoa ligada ao candidato Paulo Garcia”

“Eu estariam mentindo se eu falasse que esperava uma resposta diferente (de Antonio Goulart)”.


Confira abaixo, em vídeo, o relato indignado do juiz Fábio Soares:

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