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Nosso melhor jogador, Neymar precisa crescer e virar homem

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Bad boy, dizem os escoceses, assim como os ingleses que ainda chamam Neymar de mergulhador, o nosso cai cai.

Ele até tem simulado menos que no início da carreira e jogado cada vez mais, como dono do PSG.

Sua última vítima, o time do Celtic, em Glasgow, novamente o tirou do sério e a imprensa europeia não aceitou o gesto mal-educado de negar o cumprimento a seu marcador Antony Ralston, de apenas 18 anos, depois do fim da goleada francesa por 5 a 0.

Antes, quando o jogo pela Liga dos Campeões ainda estava 3 a 0, o brasileiro mostrou com os dedos o placar para o zagueiro que, logo no começo da partida, havia lhe dado uma entrada dura.

O técnico René Simões, em 2010, ao ver Neymar, no Santos, descumprir as ordens de seu colega Dorival Júnior, não teve dúvida: “Estamos criando um monstro”, disse.

Estivesse vivo, João Saldanha responderia a Simões: “Mas eu o quero para jogar no meu time, não para casar com a minha filha”.

Abstraiamos neste momento, e neste país que chutou a ética para escanteio há séculos, se Simões acertou o vaticínio ou se Saldanha era complacente ao olhar apenas para o que o jogador fosse capaz de fazer nos gramados.

Parece claro que Neymar é um fio desencapado.

Não tanto, para lembrar tempos remotos, quanto Almir, o Pernambuquinho. Ou, mais recente, Edmundo, o Animal. Ou, ainda, para ficar nos dias que correm, Kleber, o Gladiador.

Nenhum deles jogou o que Neymar joga, embora Edmundo tenha disputado, como reserva, a Copa do Mundo de 1998, na França.

Nem Neymar chega sequer perto das indisciplinas cometidas pelos três.

A começar pelo fato de não ser violento, de não reagir com revide quando apanha. Ele só reclama, simula ou comete atitudes infantis, daquelas que caracterizam menos um mau menino, mas apenas um garoto mimado, mal-educado, irritadiço, incapaz de conviver com frustrações, provocações e safanões.

O problema está em que mesmo a segunda alternativa não serve para tranquilizar quem aposta nele para ser o elemento decisivo na próxima Copa do Mundo.

Alguém precisa ter uma conversa séria com Neymar e nada indica que a pessoa certa seja seu pai, não só porque foi quem o educou (ou deseducou?), como também porque já deu exemplos em número suficiente sobre seu modo de ser.

O milionário patrão qatariano que comprou o Paris Saint-Germain também não parece o conselheiro ideal porque quem acha que o dinheiro compra tudo acaba como os empresários Eike Batista, Joesley Batista (nenhum parentesco de sangue, só de métodos), Marcelo Odebrechet e farta companhia entre os políticos brasileiros.

A bucha fica para Tite.

Neymar tem menos de um ano para mostrar ao mundo que cartões amarelos ou vermelhos não vão tirá-lo da Copa.

Quem sabe se um bom analista não o ajudaria no desafio?

Haverá algum em Paris que fale a língua do craque?

Porque se só os metidos a engraçadinhos têm dúvida sobre o futebol de Neymar, há cada vez mais adversários dispostos a demonstrar que quem não sabe brincar não deve descer pro parquinho. E dispostos a tratá-lo a pontapés.

Repita-se: Neymar precisa crescer e virar homem.

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