Corinthians repassa gestão do Arena Fundo para ‘laranja’ da REAG/PCC

Ontem (13), às 14h15, a CBFS Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários — empresa investigada como ‘laranja’ da REAG, acusada de lavar dinheiro para o PCC e já liquidada pelo Banco Central — protocolou na CVM mais um Informe Mensal do Arena Fundo FII, gestor do estádio do Corinthians.
Não houve anúncio oficial, nem publicamente nem no âmbito interno do clube, sobre a mudança de administradora.
O documento é de abril, referente às contas de março.
Trata-se de aparente fraude.
Inclui a divulgação de números há mais de quatro anos sem auditoria, sem balanço formal, com o desaparecimento de R$ 100 milhões cobrados ao longo de uma década — sem qualquer explicação —, entre outras irregularidades.
A entrada da CBFS na gestão do Arena Fundo ocorre logo após a liquidação da REAG — instituição à qual está diretamente vinculada, seja por origem operacional, seja por indícios de continuidade de estrutura e de pessoas —, apenada com liquidação extrajudicial, indisponibilidade de bens, afastamento de administradores e inabilitação para atuação no mercado.
Ambas, escandalosamente, possuem a mesma numeração de CNPJ: 34.829.992/0001-86.

Resta saber o que impede a diretoria alvinegra de se livrar desse grupo.
A própria CBFS, embora ainda formalmente ativa, está sob regime de supervisão especial e sujeita a medidas cautelares — podendo, a depender das apurações, ser alvo de intervenção ou até da mesma liquidação extrajudicial.
O Corinthians, pela conivência, poderá responder, em conjunto com elas, por fraude ao sistema financeiro.
Vale lembrar que a REAG, conhecida por sua generosidade com colaboradores, chegou ao clube por indicação de Adriano Monteiro Alves, irmão do então presidente Duílio “do Bingo”, e encontrou, de forma no mínimo estranha, proteção nos mandatários que o sucederam: Augusto Melo e Osmar Stabile.
Sobre os números apresentados no novo Informe, destacam-se:
O Fundo, que antes cobrava mais de R$ 100 milhões do Corinthians, informa agora que a pendência é de apenas R$ 616.233,83.
Não há qualquer explicação para o ajuste contábil.
O informe aponta ainda outras pendências: R$ 644.963,44 classificados como “outros valores a pagar”, além de R$ 416.950,40 devidos à REAG — agora à CBFS —, referentes à taxa mensal de administração do Arena, valor correspondente a quatro parcelas.
No caixa do Fundo permanecem R$ 35.688.798,44.
Sabe-se agora, a partir da revelação do novo acordo entre o clube e a CAIXA, que se trata de quantia retida obrigatoriamente como garantia do empréstimo.
São R$ 21.253.105,04 aplicados em renda fixa.
Outros R$ 14.435.693,40 estão disponíveis em conta corrente, sem rendimentos, nem utilização para pagamento de contas básicas da Arena de Itaquera.
Clique no link a seguir para acessar a íntegra do Informe Mensal do Arena Fundo FII, protocolado em abril de 2026, referente às contas de março de 2026:
Informe Mensal – Arena Fundo – abril 2026

