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A ética e o jornalismo

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Segundo conceitos práticos, ética diz respeito ao conjunto de regras, princípios e condutas que permeiam o valor e a moral de uma pessoa, grupo social e sociedade. Ela toma como base valores históricos e culturais que sejam reconhecidos como importantes e relevantes para o ambiente onde ela se faz presente. Diante disso, é possível afirmar que, até mesmo entre quadrilhas de criminosos, a ética é uma importante premissa a ser seguida.

De acordo com o mais básico dos dicionários, o jornalismo é a atividade que consiste na coleta, investigação e análise de informações para a produção e distribuição de relatórios, nos mais diferentes formatos possíveis, sobre a interação de eventos, onde as informações foram, outrora, ‘vividas’. Já para o saudoso Cláudio Abramo, um dos grandes jornalistas brasileiros de todos os tempos, “o jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter”. Impossível não evidenciar, ainda que tacitamente, a presença da ética em ambos os entendimentos. No jornalismo em geral, e no caso, o esportivo, a ética é um combustível essencial sem a qual nada se sustenta: jornalismo sem ética é coisa alguma.

Em que pese  a presença tantos profissionais sérios que desenvolvem suas atividades de forma integra, é triste evidenciar que o jornalismo esportivo brasileiro esteja vivendo uma fase de muitas dificuldades. Mais que a presença de tantas novas mídias, o que tem gerado a necessidade de enfrentar novos desafios, o principal motivo desta atual derrocada se deve às frequentes práticas antiéticas cometidas por alguns profissionais, que, ao assim agirem, penalizam o bom jornalismo, ao crime capital. Indico a seguir 10 destas práticas:

  1. Prestar serviço remunerado de forma direta e/ou terceirizada para entidades esportivas sobre as quais emite opiniões como comentarista profissional em emissoras de televisão, rádio e outras mídias.
  2. Receber vantagem financeira e/ou de qualquer outra espécie de entidade esportiva em troca de divulgar seus produtos e serviços pagos e/ou incentivar a ida aos seus eventos e atividades cobradas ao público.
  3. Receber vantagem financeira e/ou de qualquer outra espécie por conta da venda de produtos oficiais geridos por entidade esportiva.
  4. Reescrever e/ou alterar a veracidade de fatos históricos ocorridos sob qualquer hipótese, principalmente por conta de uma remuneração específica e/ou para tornar mais exitosa a história do clube que torce.
  5. Agir de forma corporativista em prol de dificultar a entrada de novos profissionais do ramo e/ou profissionais com os quais não mantém relacionamento de amizade e/ou profissionais de outras áreas, dentre eles ex-atletas e especialistas apenasmente pelo argumento de não possuírem o diploma de jornalista.
  6. Utilizar textos e/ou partes de textos, sobretudo de pessoas que não têm acesso às grandes mídias, e sequer citá-las como referências e/ou fontes de pesquisa.
  7. Desenvolver parceria profissional com qualquer pessoa física e/ou jurídica que atue como atleta e/ou dirigente e/ou em empresa que tenha vínculo profissional com entidades esportivas sobre os quais emite opinião como comentarista em emissoras de televisão, rádio e outras mídias.
  8. Exercer atividade diretiva e/ou de qualquer outra natureza que impacte direta ou indiretamente, ainda que não remunerada, na gestão de qualquer entidade esportiva sobre a qual emite comentários profissionais em emissoras de televisão, rádio e outras mídias.
  9. Manter relação social assídua junto aos atores presentes no mercado esportivo, quer sejam eles árbitros, atletas, profissionais técnicos e dirigentes que possam fazer parte de comentário profissionais em emissoras de televisão, rádio e outras mídias.
  10. Utilizar dos meios que possui e/ou tem acesso para divulgar informações, emitir comentários e sugestões que não sejam condizentes com a veracidade dos fatos.

Tema recorrente em muitos de meus artigos, a precária situação do jornalismo esportivo, certamente, não é uma situação duradoura. Acredito muito que ainda haja espaço para que a competência volte a ser a sua marca maior. Um caminho árduo que passa, necessariamente por semear a ética e a retirada das raízes que geraram algumas supostas frondosas árvores, os jornalistas antiéticos, que tem gerado os piores frutos.

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