Marin vai do luxo em Nova York para prisão de ‘terceiro mundo’

Da FOLHA

Por SILAS MARTI

Num domingo antes do julgamento que o mandou para a prisão, José Maria Marin, o ex-presidente da CBF condenado por receber propina e lavar dinheiro no escândalo de corrupção da Fifa, foi almoçar com a mulher, Neusa, no restaurante de uma loja da Armani na Quinta Avenida.

Eles se sentaram numa mesa de canto, com vista para a porta da Trump Tower, o famoso prédio de luxo no ponto mais caro de Nova York, onde Marin vinha cumprindo prisão domiciliar havia dois anos. O cartola parecia animado, falando com a mulher e olhando para a rua.

Os garçons, presenteados em outras ocasiões com camisas da seleção brasileira e já acostumados a atender o casal nos dias de pouco movimento, cochichavam. “Ele deve estar pensando no Brasil”, dizia um deles. “Há quanto tempo ele está mesmo enfiado naquele prédio?”

Neusa pagou a conta, como sempre fazia. Na saída, ela ainda passou os olhos pelas bolsas da coleção de inverno da grife italiana, um dos vários endereços de luxo que aparecem nos extratos bancários do cartola revelados no julgamento -eles mostram que Marin podia torrar mais de R$ 300 mil por mês em compras extravagantes.

Mas, naquele dia de chuva forte, o casal tinha pressa e não levou nada para casa. Minutos depois, eles atravessaram a rua para voltar à torre de vidro construída por Donald Trump antes que o magnata fosse eleito presidente.

O tempo mudou agora. Os seguranças na porta do prédio onde Marin comprou um apartamento de R$ 10 milhões já sentem falta do “cara da Fifa” que viam sair de vez em quando para passeios no Central Park, almoços rápidos na Armani e idas à missa na igreja de Saint Patrick.

O cartola tinha permissão para passear à tarde -só para fazer exercício, rezar e fazer compras- quatro vezes por semana e com autorização prévia da polícia, mas já não saía mais nas semanas pouco antes do julgamento.

Toda a ostentação e riqueza também ficaram para trás. Marin agora vive num presídio no Brooklyn, um bunker de concreto e tijolos à vista que ocupa três quarteirões ao lado de um enorme viaduto.

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