Os “mensalinhos” de Pinotti

Novo escândalo nos bastidores do São Paulo dá conta do pagamento de uma espécie de “mesada”, oriunda dos bolsos do diretor de futebol Vinicius Pinotti para a conta do ex-gerente de marketing, Alan Cimerman, demitido por justa causa, acusado de corrupção.
Pelo menos durante seis meses, R$ 54.900,00 foram transferidos, em disfarce, para a empresa Team Spirit, de propriedade do ex-cartola Tricolor.
Pinotti negou, mas, depois, diante das evidências disse tratar-se de “ajuda a um amigo com dificuldades financeiras”.
A operação, porém, amparou-se em crime fiscal, já que Cimerman emitiu Notas Fiscais fajutas, simulando serviços prestados ao dono da Natura.
Dentro do clube, o presidente Leco, além doutros beneficiados pelo “mensalinhos” de Pinotti, comprometidos, tentam abafar o caso, mas encontram resistência daqueles que não se sujaram ou tiveram “ajuda” negada.
O mar de lama em que o São Paulo atolou-se assemelha-se a procedimentos incorretos investigados na política nacional pela “Operação Lava-Jato” e devem ser combatidos com rigor por aqueles que, de fato, zelam pelo clube, além de denunciados ao Ministério Público, antes que a contaminação, que já é grande, transforme-se em infecção generalizada.
Alguém acredita que os repasses de Pinotti são inocentes e não serviram para comprar-lhe apoio tanto no período em que gerenciou o marketing como também para promovê-lo ao futebol, cargo este do qual, comprovadamente, é incompetente para exercer ?
Seria simples gesto de “caridade” por detrás dos mensalinhos para ex-diretor de marketing Tricolor, tratado como corrupto, ou acerto de comissionamento de negócios com quem, também, operou no mesmo setor ?
Qualquer semelhança com procedimentos de grandes donos de empresa (como é a Natura) em cooptação de políticos, a base de dinheiro e submissão, não deve se tratar, tudo indica, de mera coincidência.
