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Era uma vez no Futebol

As relações promíscuas com as organizadas são antigas e malignas

Do ESTADÃO

Por MARÍLIA RUIZ

Ugo Giorgetti retratou a relação absurda entre organizados e clubes em seu genialBoleiros – Era Uma Vez no Futebol, filme de 1998. Para mau entendedor, a cena dos fanáticos corintianos reunidos com o médico do time para discutir a contusão de um jogador é bizarra e caricata. Para quem passa longe das notícias dos clubes, pode parecer ridícula a possibilidade de torcedores organizados assistirem a treinos tal qual fossem da comissão técnica. Para quem lê sobre as cifras milionárias envolvidas, seria caricato demais que torcedores tivessem o direito de cobrar empenho (coercitivamente) dos jogadores.

Infelizmente, não era, não é e, aparentemente, continuará não sendo nesta várzea institucionalizada que é a administração dos clubes no Brasil.

O assunto de hoje é a inacreditável reunião de um bando de torcedores organizados, jogadores, comissão técnica e diretores ontem no CT do São Paulo. As imagens da chegada dos torcedores são assustadoras (recomendo assistir longe da presença de menores). As declarações feitas antes da tal reunião são surreais. Aliás, o presidente da principal organizada do time deu entrevista, em frente ao CT do clube, colocando as suas condições! Isso mesmo: enquanto o presidente do São Paulo segue em silêncio constrangedor e ensurdecedor, o presidente da torcida organizada falou e deu as suas condições. Repetindo, as suas CONDIÇÕES!

Henrique “Baby” Gomes de Lima não atenuou o discurso para dizer que queria saber o que estava acontecendo dentro do CT, qual era o problema entre os jogadores e que perguntaria quem tinha coragem para jogar ou não – os covardes seriam convidados a sair. Chegou a citar família e filhos dos atletas!

Só para dar mais cores à cena psicodélica, “Baby”, ontem convidado a falar com os jogadores, é um dos 12 torcedores que foram condenados no ano passado a indenizar o São Paulo pelos danos causados no CT depois de uma invasão para protestos e agressões. A mesma decisão do juiz Ulisses Augusto Pascolatti Júnior, de 26 de setembro de 2016, também determinou que ele e outros condenados não poderiam sair da cidade, não poderiam assistir a jogos do São Paulo e não poderiam se aproximar do Morumbi ou do CT. Por fim, a decisão proibia os condenados a manterem qualquer tipo de contato com funcionários, jogadores ou dirigentes do clube sob pena de prisão. Ontem, menos de um ano depois, esse cidadão e seus pares da mesma e de outra organizada, negociaram com a atual diretoria e entraram pela porta da frente do CT para impor as suas demandas em reunião com jogadores, comissão técnica e ‘aspones’ do presidente Carlos Augusto Barros e Silva, que levou seu escudo Raí para o tenso e bizarro encontro.

Não há chance dentro do mundo do razoável (não estou exagerando e citando o mundo profissional) desta cretinice estar certa.

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