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Empresa ligada a ex-vice de finanças do Corinthians está enrolada, também, no caso Panamericano

Felipe Ezabella, Raul Corrêa da Silva, Sergio Alvarenga e Fernando Alba

Recentemente, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Conclave”, em que investiga falcatruas cometidas durante o Governo Lula, por intermédio da CAIXAPAR, no intuito de evitar a falência do Banco Panamericano, à época de propriedade do grupo Silvio Santos.

Se, no passado, um ex-dirigente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, por conta de ocupar cargo remunerado no Conselho da instituição, foi apenado em oito anos sem poder operar no mercado financeiro, agora, segundo relatório da Justiça Federal, outro velho conhecido do clube parece estar enrolado.

Diz trecho do documento:

“(…) em 2009, o vice-presidente de finanças e diretor da CAIXAPAR concluíram favoravelmente a um negócio prejudicial ao sistema financeiro dessa instituição e da própria Caixa Econômica Federal, além da contratação da BDO CONSULTORES, que em tempo exíguo (curto) encaminhou correspondência à CAIXAPAR, elaborada por Luis Guilherme Raposo, com opinião prévia sobre valor econômico das ações do banco Panamericano, atestando que o valor atribuído pelo FATOR S/A era “plausível e razoável”

“(…) nenhuma delas (BDO inclusive) detectou as falhas da operação empresarial e os riscos, até porque tudo foi feito apressadamente com o propósito deliberado de concluir o negócio entre a CAIXAPAR e o Panamericano”

Em resumo, a PF acredita que a BDO foi contratada para conceder parecer “maquiado”, com dados falsos sobre o Panamericano, facilitando e participando do golpe que beneficiou o grupo Silvio Santos à custa de dinheiro público.

A BDO é uma empresa internacional de consultoria, contabilidade, auditoria e afins que opera no Brasil associada à RCS Auditores Independentes, de propriedade do ex-vice-presidente de finanças do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, fusão esta que renomeou o grupo para BDO/RSC.

Em resposta às acusações, a BDO/RSC informou à imprensa que à época dos fatos esta composição (fusão) inexistia, e que o atual grupo nada teria a ver com os fatos criminosos relatados pela Polícia Federal.

Porém, basta pequena verificação sobre o nome do dirigente apontado pela “Operação Conclave”, Luis Guilherme Raposo Machado Costa, para observar que além de ter operado pela BDO neste episódio, participou, também, conforme palavras do próprio “como sócio para a prática de fusões da BDO”.

É importante sempre relembrar que Raul Corrêa da Silva, presidente da BDO/RSC, ocupou a vice-presidência de finanças do Corinthians, sendo, no exercício deste cargo indiciado em três oportunidades no STF pela prática de crimes fiscais, além de, recentemente, ter sido apontado pelo economista Emerson Piovesan (seu sucessor no Timão), em documento protocolado no Conselho Deliberativo do clube, como responsável por “maquiagens” nos balanços alvinegros, mais precisamente o do exercício de 2014.

Foi responsável, também, por rubricar quase todos os documentos que viabilizaram o negócio entre Corinthians e Odebrecht para a construção do estádio de Itaquera, um deles, acusado de fraudulento, outro, indevidamente, como se fosse representante da Jequitibá Patrimonial (parceira da construtora), ambos quase ocasionadores do impeachment do presidente do Corinthians, Roberto Andrade.

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