Flavio Adauto e MSI: quando o diretor do Corinthians fala a verdade ?

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O UOL publicou ontem entrevista com o diretor de futebol do Corinthians, Flavio Adauto, que, entre diversos assuntos, teceu rasgados elogios à MSI, que o MPF dizia tratar-se de lavagem de dinheiro da Máfia Russa.

“Tenho uma visão: a MSI cumpriu tudo o que prometeu.”

“ele (Kia) cumpriu com tudo o que prometeu – quem não cumpriu foi o Corinthians: essa é a verdade”

Trata-se de uma estranha mudança de opinião, talvez estimulada pelo evidente (e quase obrigatório) relacionamento que passará a ter com o iraniano, daqui por diante, sempre integrado aos negócios do departamento de futebol alvinegro.

A mais recente aquisição do clube, sem oposição do dirigente, foi o atleta Jô, agenciado por Giuliano Bertolucci, umbilicalmente ligado a Kia Joorabchian, com estranho pagamento de R$ 1,7 milhão de comissionamento.

Em setembro de 2007, em depoimento na Câmara dos Deputados, em Brasília, Flavio Adauto realizou o seguinte discurso:

“Profudamente verdadeiro o que disse o Roque Citadini (que detonou a parceria), se opôs desde o primeiro instante (à MSI), o Sr. Roque Citadini, se opôs o Sr. Approbato Machado, se opôs o Sr. Romeu Tuma… não me opus na ocasião à formação da parceria, não me opus… achava que poderia ser até inovador…”

“Só que eu não posso me comparar a um policial de Interpol com 28 anos de carreira e pessoas que foram investigar a vida destes que seriam os investidores…”

Quatro meses antes, em meio a questionamentos de conselheiros do Corinthians no Parque São Jorge, dentro do famoso “senadinho”, Adauto vendeu-se como “santo revoltado”, detonando Renato Duprat, um dos intermediários da MSI, que agora diz ser “cumpridora do dever”:

“(…) todas as dúvidas que os senhores tem (da MSI) eu também tinha e pedi: ‘presidente (Dualib) por favor traga esse Duprat na reunião ! Ele trouxe…você participou, o Rachid participou…”

“Eu pela mania de ter sido jornalista a vida toda comecei a anotar… ele (Duprat) terminou e eu falei ‘com licença, presidente, eu não posso mais fazer parte da diretoria desse clube. Porque nós temos aqui um mentiroso (Duprat/MSI): ‘você não presta! O senhor começou a falar há meia hora e colocou R$ 18 milhões… nós já estamos em R$ 70 milhões… o senhor colocou oito números diferentes”

“Eu vejo as pessoas se aproximarem do Duprat, só faltam beijar os pés… é um homem que tem 1.100 processos… é um bandido! Quando a gente fala “bandido”… é um homem procurado pela Justiça, já foi preso um monte de vezes…”

Em resumo, até a entrevista de ontem, Flavio Adauto tratava a MSI como um grande erro do Corinthians (reconheceu, oficialmente, na Câmara dos Deputados), e seus partícipes, caso de Renato Duprat, literalmente como “bandidos”.

Não se trata, porém, de novidade o procedimento do dirigente de adaptar um discurso para cada situação, haja vista o que ocorreu, semanas atrás, quando, dois dias antes de aceitar convite do presidente Roberto Andrade para assumir a diretoria de futebol, conspirava, via wathsapp, pela queda do mandatário alvinegro.

A dúvida é: quando Flavio Adauto fala a verdade ?

  • Detonando a MSI e seus parceiros em 2007 ou estendendo o “tapete vermelho” para Kia Joorabchian, em 2016 ?
  • Pedindo a queda de Roberto Andrade tratando-o pelos mais desairosos adjetivos ou elogiando-o após assumir cargo, menos de 48 depois ?

Vídeo do depoimento de Flavio Adauto à Câmara dos Deputados, em 2007:

Vídeo de Flavio Adauto detonando Renato Duprat (MSI), em 2007, no Parque São Jorge:

Matéria com Flavio Adauto pedindo a cabeça de Roberto Andrade, dois dias antes de se tornar subalterno do dirigente:

Flávio Adauto conspirou para derrubar presidente do Corinthians e disse que time não tinha caráter

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