Flavio Adauto e MSI: quando o diretor do Corinthians fala a verdade ? Íntegra de depoimento…

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Publicamos, pela manhã, trechos de vídeos em que o diretor de futebol do Corinthians, Flavio Adauto, esculhamba com a MSI, tratando, inclusive, seus representantes como “bandidos”.

Flavio Adauto e MSI: quando o diretor do Corinthians fala a verdade ?

Ontem, ao UOL, diferentemente do que sempre discursou, o cartola rasgou elogios à MSI, dizendo ainda que o Corinthians era o culpado da parceria não ter funcionado.

“Tenho uma visão: a MSI cumpriu tudo o que prometeu.”

“ele (Kia) cumpriu com tudo o que prometeu – quem não cumpriu foi o Corinthians: essa é a verdade”

Ao tomar conhecimento, há instantes, de nossa publicação, questionando qual dos “Flavios Adautos” falava a verdade (de 2007 ou 2016), o dirigente, que no Parque São Jorge é aliado político do “171 do Vale do Paraíba”, disse a pessoas próximas que o vídeo estava editado.

É verdade, estava.

Aliás, é o único trecho que possuímos em arquivo.

Porém, para azar de Adauto, guardamos documento oficial da Câmara dos Deputados com a íntegra de seu depoimento, em 2007, que, a bem da verdade, é ainda mais arrasador contra a MSI.

O Corinthians, que o dirigente diz agora ter descumprido promessa com a MSI, é citado duas vezes como “vítima” da parceria, enquanto os gestores da “parceira” são tratados com adjetivos tais, como: “bandido”, “quadrilha”, “mar de lama”, “estelionatários”, etc.

Razão pela qual retomamos a questão: em que ocasião Flávio Adauto dizia a verdade sobre a MSI ? 2007 ou 2016 ?

ABAIXO ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE FLÁVIO ADAUTO À CÂMARA DOS DEPUTADOS, EM 2007

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“Bom dia. Em primeiro lugar, muito obrigado pelo fato de poder estar presente nesta audiência pública.

Cumprimento o Deputado Silvio Torres pela iniciativa, os companheiros da Mesa, os demais presentes e os Srs. Deputados.

Parece-me que estamos indo para um lado pouco interessante. Eu diria pouco interessante, mesmo que de forma dolorida, virmos aqui discutir problemas específicos do Corinthians.

O Corinthians é uma vítima (da MSI), como disse aqui o Romeu Tuma, que também é um membro da Diretoria do clube, do Conselho do clube. Acho que o Corinthians, como vítima, apenas serviu como pano de fundo para coisas muito mais profundas.

O buraco é muito mais amplo. Digo o seguinte: não vai levar a lugar nenhum e não vem ao caso discutir aqui quem há 3 anos ou há 2 anos votou contra ou a favor de uma parceria que já não existe na prática.

O Corinthians, internamente, através dos seus poderes, vem tomando as devidas posições para que essas feridas sejam sanadas, sejam curadas. Já afastou a MSI, esta já não mais faz parte do clube. Tem um processo em andamento.

O importante mesmo que eu vejo aqui neste momento é que já está comprovado que a quadrilha existe, que a lavagem de dinheiro existe, que uma audiência pública pode ser o primeiro passo para uma CPI.

Na próxima quinta-feira, nós teremos aqui membros do Ministério Público, que vão falar de assuntos que certamente hoje já serão ultrapassados, porque ontem tivemos novidades, sábado passado tivemos parte das escutas telefônicas divulgadas e ontem à noite, novamente. Provavelmente hoje, amanhã e até a próxima quinta-feira esse mar de lamas continuará rodando, tendo seqüência. E envolve, e atinge, queiram ou não, órgãos do Governo.

Dirigentes do Corinthians foram recebidos aqui, em gabinete presidencial, em gabinetes ministeriais. Discutiram aqui investimentos desse Sr. Boris, ações que poderiam ser feitas e que, felizmente, não foram concretizadas.

Então, eu não sou conhecedor profundo de leis, não sou advogado, não posso apresentar sugestões com base em artigos de lei, mas posso dizer o seguinte: fatalmente, cara Presidente, esta audiência pública, primeiro passo hoje, segundo passo na próxima quinta-feira, poderá abrir, sim, de forma consistente, a formação de uma CPI, uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Por quê?

Os fatos estão muito claros e já são comprovados.

O Ministério Público já tem denúncias feitas, e somente uma CPI poderá abrir de forma muito mais completa essa história toda, que é suja, que envolve um clube de futebol, mas que certamente acabará envolvendo o futebol brasileiro inteiro. Numa CPI, não tenho a menor dúvida de que esses problemas localizados hoje no Estado de São Paulo serão ampliados profundamente.

O Dr. Rubens Approbato Machado, jurista, Presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, disse há pouco que proporia uma destituição já. Eles já estão destituídos. O Presidente do clube já está destituído, o Vice-Presidente já está destituído, mandados de prisão estão correndo por aí. Acho que tem que destituir todo o mundo. Todos nós, Rubens. Todos os que têm poderes no clube hoje deveríamos ser destituídos. Sabe por quê? Porque todos nós somos fruto desta gestão.

Hoje está aqui o Presidente do Conselho de Orientação do Corinthians, Dr. Roque Citadini. Ele foi eleito como? Foi eleito por essa orientação, por essa seqüência, por esse domínio da Era Dualib.

O Presidente do Conselho Deliberativo foi eleito por quem? Foi eleito por esse comando, por esse domínio da Era Dualib.

Todos nós fazemos parte de um processo, contestando ou não.

É profundamente verdadeiro o que disse o Roque. Desde o primeiro instante, se opuseram o Sr. Roque Citadini, o Sr. Approbato Machado e o Sr. Romeu Tuma. Não me opus na ocasião à formação da parceria.

Não me opus. Achava que poderia ser até inovador, que poderia naquele momento o Corinthians ser o primeiro a avançar para um modernismo, e não era nada disso. Só que não posso me comparar a um policial da INTERPOL com 28 anos de carreira e a pessoas que foram pesquisar a vida desses que seriam os investidores.

Então, falar de Corinthians parece-me até pouco, porque o Corinthians apenas é uma vítima de um processo que está caracterizado pelo Ministério Público, pelo GAECO, em São Paulo, por autoridades da área policial que investigaram profundamente essa matéria, que envolve, não tenho a menor dúvida, as escutas provam e mostram isto, o Governo central. Envolvem o Governo central.

Ocupei — para encerrar, já estou me aprofundando muito, depois fico à disposição — até o dia 27 de fevereiro o cargo de Vice-Presidente de Comunicações do Corinthians. Três dias antes, o Presidente do clube me disse:

“Flávio, você precisa aprender a mentir”. Eu disse: “Mentir como?” “Dizer que fomos a Brasília e fomos pedir um empréstimo de 500 milhões de dólares ao BNDES para a construção do estádio do Corinthians.” Não fomos pedir isso, não. Fomos pedir a entrada do Sr. Boris Berezovsky no Brasil.

Então, eu disse: “Presidente, o senhor acaba de perder o seu Vice-Presidente. A partir deste momento, eu não sou mais Vice-Presidente do Corinthians. Não vou aprender a mentir, e o fato verdadeiro será o divulgado”. E o fato verdadeiro divulgado foi que aqui eles estiveram para pleitear a entrada desses empresários, ou maus empresários, bandidos, magnatas, estelionatários, seja lá o que for, que tentavam usar — talvez não tenham conseguido, mas tentaram — o poder central para fazer disso um caminho para abrir portas para eles.

Então, não é destituição já, não. Eu acho que todos nós deveríamos neste momento sair e tentar fazer uma nova esfera de ação e de poder dentro do clube.”

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