As suspeitas movimentações de ações da Telebrás do presidente do Palmeiras

Em 10 de fevereiro de 2012, a Telebrás enviou documento à CVM informando que o investidor Paulo Nobre e o Fundo de Investimentos Manitu High Yield (que tem o presidente do Palmeiras como único cotista) possuíam 1.639.899 ações preferenciais da empresa (Telb4).
1.075.299 em nome de Paulo Nobre e 564.600 no da Manitu (em verdade, Paulo Nobre).
Em percentual, o palestrino possuía 5% dessa classe de ações (R$ 300 milhões); 1,5% de toda a empresa.
À época, o site “Laboratório de Idéias” levantou as seguintes suspeitas:
- A Manitu iniciou suas operações em 2005, mas em 09 de julho de 2010 (dois meses após o lançamento do PNBL e a reativação da Telebras) teve seu regulamento alterado;
- O documento dirigido à CVM pelos investidores tem data de 27 de janeiro. No entanto, somente em 10 de fevereiro – dez dias úteis e dez pregões da bolsa de valores após – foi divulgado ao mercado, sem nenhuma explicação sobre esse atraso.
- Na página da CVM, onde constam todos os fundos de investimento atuantes no Brasil, a ação com código “Telb4” não constava da carteira do Manitu High Yield Fundo Investimento de Ações. A última atualização de dados desse fundo, informada no dia 08/02/2012, tinha competência referente ao mês de janeiro de 2012;
- Seja como for, no documento de 27 de janeiro a afirmação colocada está escrita no tempo presente: “Os acionistas são titulares, em conjunto,…”, ou seja, nesse dia as ações ainda teriam que estar em carteira. Assim, o mercado começa a questionar se os dados informados na página da CVM estão errados ou se a posição teria sido vendida antes do encerramento do mês de janeiro.
Em 2012, o Governo do PT detinha 72% do total de ações da Telebrás (somadas ON e PN), o Banco Cruzeiro do Sul 10% e a dupla Paulo Nobre/Manitu 1,5% (no geral).
Diante dos fatos estranhos elencados pela matéria, além da evidente certeza de que ninguém investiria R$ 300 milhões numa governamental sem as mínimas garantias de retorno (sejam lá quais forem), observa-se que Paulo Nobre, na melhor das hipóteses (se não houve desvio de conduta), é um homem abusado do mundo dos negócios.
