Máfia de Apostas pode estar envolvida em “cai-cai” da quarta divisão de São Paulo

tanabi

No último domingo, o Tanabi perdia para a Portuguesa Santista por dois a zero, em seu estádio, em partida válida pela Segunda Divisão (equivalente à quarta divisão) do Campeonato Paulista, quando, aos 73 minutos, o jogo foi encerrado por falta de jogadores da equipe da casa no gramado.

O “cai-cai” de jogadores foi descrito, em detalhes, pelo árbitro Marcio Henrique de Gois, em súmula que republicamos, na íntegra, logo abaixo.

A Lusa de Santos precisava fazer saldo de gols para classificar e o Tanabi já estava eliminado do torneio.

Ambas as equipes negam participação em esquema de manipulação, mas relato do presidente do Tanabi dá conta da presença de um homem falando o tempo todo, em inglês, na beirada do campo, realizando anotações, que teria sido liberado após ser preso e declarar que trabalhava para “uma empresa de monitoramento de jogos dos Estados Unidos”.

Em regra, os sites de apostas contratam pessoas para acompanhar partidas de futebol no mundo todo, repassando, ao vivo, estatísticas dos embates, utilizadas quase todas para desfrute de apostadores.

Suspeita-se, não por acaso, que o jogo estaria inserido nesse contexto, de compra de resultado, que pode ter sido fechada diretamente com o jogadores, hipótese reforçada após colaboração da direção do Tanabi.

CONFIRA ÍNTEGRA DOS RELATOS DO “CAI-CAI” NA SÚMULA OFICIAL DA PARTIDA

“Para melhor entendimento do relato abaixo, informo que a equipe do Tanabi E.C. encontrava-se com nove jogadores, pois dois atletas tinham sido expulsos no primeiro tempo.

Aos 52 minutos de jogo, um jogador do Tanabi E.C. caiu e solicitou atendimento alegando câimbra, tendo que sair do campo devido à entrada do médico. O jogador não retornou mais para a partida. Cabe a mim informar que a equipe do Tanabi já havia feito a única substituição que tinha direito, porque apresentou apenas 12 jogadores para a partida, sendo 11 titular e um suplente.

Aos 59 minutos de jogo um segundo jogador da equipe do Tanabi E.C. solicitou atendimento alegando dor na perna após uma disputa de bola, tendo que sair do campo devido à entrada do médico. O jogador não retornou mais para a partida.

Após a saída do segundo jogador do Tanabi para atendimento médico e já reiniciada a partida, alguns jogadores da equipe passaram a me questionar se eu não deveria paralisar a partida, pois, entendiam que estavam com seis jogadores e, portanto, não poderia mais continuar a mesma. Cabe a mim informar que havia sete jogador. A questão é que eles não consideraram o próprio goleiro.

Após alguns jogadores me questionarem e também ao quatro árbitro sobre a quantidade de jogadores para continuar uma partida, aos 62 minutos um terceiro jogador caiu solicitando atendimento médico e, aos 63 minutos, também saiu do campo de jogo e a equipe do Tanabi ficou apenas com seis jogadores em campo.

Sendo assim, não reiniciei a partida aguardando o atendimento médico e uma possível volta do jogador para completar o número mínimo de jogadores para a continuação da partia: sete.

Aos 64 minutos, enquanto a partida estava paralisada, estava respondendo a um questionamento referente à situação da partida ao técnico da equipe do Tanabi, o senhor Wagner Miranda de Souza, na lateral do campo de jogo, quando entrou o senhor Irineu Alves Ferreira, presidente do Tanabi, puxando o senhor Wagner e dizendo as seguintes palavras: “Vamos, Wagner, vamos sair, já foi, vamos”. Nesse momento, o senhor Wagner respondeu a ele: “Não, eu não fui expulso, pra quê sair?”. Imediatamente o senhor Irineu o soltou e saiu.

Uma outra pessoa, identificada como roupeiro da equipe do Tanabi, o senhor Durval Andreazi, nesse momento subiu pelo túnel que dá acesso ao campo através do banco de suplentes, disse algumas palavras que não consegui entender e se retirou.

Após o ocorrido informei aos capitães do procedimento que seria feito, aguardamos alguns minutos quando recebemos a informação do médico, o senhor Luis Alcides Fusco Marques (CRM 55.166), que o sétimo jogador não iria continuar a partida.

Então, aos 73 minutos, encerrei a partida por número insuficiente de jogadores por parte do Tanabi E.C.

Informo que o horário correto do término da partida foi às 11h31, não sendo possível colocar na súmula eletrônica, porque ela gera o horário automaticamente”.

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