Paulo Garcia e Ernesto dos Gaviões foram os “cavalos de tróia” da oposição nas eleições do Corinthians
Com 43% dos votos validos dos associados, Roque Citadini teve a mais expressiva votação de um oposicionista no Parque São Jorge, após realizar campanha de apenas 20 dias, a um custo infinitamente inferior ao de todos os candidatos.
Poucos sabem, porém, as adversidades reais enfrentadas durante a campanha.
Dos apoios que recebeu, tirante a voluntária participação popular, os mais sinceros foram os de gente que sequer fazia parte de seu grupo inicial, como os ex-dirigentes de Mario Gobbi, entre os quais Luis Paulo Rosenberg, e os oposicionistas ligados a Osmar Stabile.
Os grandes “cavalos de tróia”, porém, vieram de Paulo Garcia e seu grupo – com raríssimas exceções – que dissimulavam apoio, mas na verdade torciam e trabalhavam pela vitória do adversário.
Até Ilmar Schiavenatto sofreu com a guerra política e teve entre os seus um Judas, Ernesto dos Gaviões, que “errou” assinaturas, mas depois foi agraciado, um dia após as eleições, com espaços que antes eram de rádios do interior, para sua web-rádio, local em que narra jogos do Corinthians ao lado de conselheiro situacionista.
Tudo porque a retirada da candidatura favoreceria o atual grupo que comanda o poder.
O REGISTRO DAS CHAPAS E A “UNIÃO” DA OPOSIÇÃO
No último dia de registro das chapas que concorreriam às eleições do Corinthians, três foram as inscritas, das quatro anteriormente previstas: Roque Citadini, Roberto “da Nova” Andrade e Ilmar Schiavenato.
Enquanto Andrade tentava minimizar as pendências entre os apoiadores de Gobbi e Andres Sanches, a oposição, que tinha até então Citadini em franco crescimento nas pesquisas, aproximava-se, pelas propostas, ao grupo representado por Osmar Stabile, que não suportava mais o retrógrado e desrespeitoso convívio com os hábitos, costumes e alguns aliados de Paulo Garcia.
Ao perceber que perdia espaço na campanha, Garcia, com falso discurso de união, procurou Citadini para propor a retirada da candidatura, além do apoio de seu grupo às eleições.
Porém, por detrás, as atitudes não condiziam com o discurso efetuado.
Garcia fez o possível e o impossível para selar o acordo somente na véspera do pleito, inviabilizando uma composição quase acertada entre o grupo de Citadini e o de Ilmar Schievenatto, além de, na última hora, exigir 90% da composição dos nomes a serem inseridos no Conselho Deliberativo.
No intuito de unir as oposições, Citadini aceitou o acordo, acreditando que, em realizando uma gestão eficiente, teria naturalmente o apoio dos nomes indicados pelo dono da Kalunga, além de contar com a lealdade de Stabile, que possuia clara ascensão política sobre muitos dos nomes propostos.
Mesmo assim, em clara ação para prejudicar a composição, apesar de previamente acertada a “cabeça” da chapa com Citadini (presidente), Stabile (1º vice) e Piovesan (2º vice), Paulo Garcia inverteu a ordem dos vices no documento oficial, gerando nova confusão, contida rapidamente pelo candidato a presidente, que pediu para que novo documento fosse impresso, indicando o acerto inicial.
A CAMPANHA
Acertada a “união”, enquanto o grupo de Citadini e Stabile arregaçou as mangas e partiu para o trabalho, Paulo Garcia destilava – e nem disfarçava – ódio com a situação, e, mesmo com o fornecimento de material de campanha – no qual focava quase sempre seu próprio nome como candidato ao Conselho – por trás, atraiçoava aos que “oficialmente” apoiava.
“O Roque vai ganhar, mas não vai levar”, cansou de dizer a seus próximos, acreditando que o número de indicados ao Conselho lhe proporcionaria o poder de dar ordens ao presidente.
No final do ano, em clara ação para prejudicar o andamento da campanha, Garcia passou o reveillon com Andres Sanches e Fernando Garcia, fazendo, inclusive, questão de postar foto do trio em suas mídias sociais.
Na última semana, com a informação de que a campanha de Citadini tinha percentual de pesquisa indicando a possibilidade de vitória, o dono da Kalunga passou a demonstrar “empenho”, porém, seu irmão empresário plantava, na imprensa, notinhas de brigas com a atual gestão sobre o direito de seus atletas, vinculando, ardilosamente, o termino da confusão ao resultado das eleições.
Sem dar importância, mas obviamente sabedores do que ocorria ao seu redor, Citadini e Stabile mantiveram o pique, cada qual no seu estilo, evitando que a grande maioria dos correligionários fosse contaminada pela clara ação de boicote.
OS “ERROS” DE ERNESTO DOS GAVIÕES
Era opinião geral entre os participantes do pleito, que na composição final dos candidatos, a chapa de Ilmar Schiavenatto, apesar de sem condições de vitória, retiraria de Roberto Andrade grande percentual de apoio, o que poderia decidir as eleições.
Surgiram, então, as assinaturas falsificadas no documento da chapa.
O trabalho de registro tinha ficado a cargo de Ernesto dos Gaviões, que por oito anos esteve ao lado da atual gestão, e, um dia depois das eleições, voltou às boas com o grupo que supostamente estava brigado, recebendo para tal os benefícios citados no início da postagem.
Difícil acreditar no acaso.
O DIA DAS ELEIÇÕES
Quando um chapa de ponta, daquelas com chances reais, participa de eleições acirradas como são as do Corinthians, conta-se como certos os votos dos 250 conselheiros inscritos (até pelo fato dos próprios dependerem das urnas para serem eleitos).
Espera-se, também, por razões óbvias, que os inscritos no grupo consigam outros eleitores, encorpando ainda mais a votação.
Foi exatamente no Dia das Eleições que o “Cavalo de Tróia” de Paulo Garcia, até então diagnosticado apenas internamente pelos candidatos, foi exposto publicamente no Parque São Jorge.
Enquanto todos os conselheiros indicados por Citadini e Stabile, além de comparecerem para votar, trabalharam com afinco na “Boca de Urna” – excetuando-se o sempre volúvel Wilson Bento Junior – 50 nomes indicados por Paulo Garcia sequer compareceram para votar.
Os que foram – tirante a conselheira Mirian Athiê – em sua maioria, quando não praguejavam contra o próprio grupo, cruzavam os braços nos bares do Parque São Jorge ou saiam a “francesa” do clube.
“Já perdi essas eleições. Se “eles” ganharem (grupo de Roberto) ou o Roque, estou fora”, discursava Antonio Rachid, suposto coordenador de campanha, em meio a cenográficos pedidos de “empenho” aos correligionários.
A OPOSIÇÃO APÓS O RESULTADO DAS ELEIÇÕES
Logo após a derrota nas urnas, a oposição do Corinthians, com votação expressiva, reuniu-se para os agradecimentos habituais, satisfeita com a constatação de força do novo grupo, encabeçado por Roque Citadini e Osmar Stabile.
Enquanto isso o nome de Paulo Garcia, por razões óbvias, morto politicamente no Corinthians, era simbolicamente “velado” pelos bajuladores de sempre.
O dono da Kalunga, como de fato costuma ocorrer com os que agem com canalhice, hoje não tem o respeito de nenhum grupo político alvinegro, e vaga, moribundo, com o apoio dos que ainda pode comprar.
Com idéias inovadores – jogadores 100% do Corinthians, gestão americana no estádio, etc. – espera-se que, para o bem do Corinthians, os novos oposicionistas alvinegros, agora livres dos que insistiam em hábitos que os aproximavam da atual gestão, realizem um trabalho de apoio e e fiscalização da diretoria, sem abrir mão de introduzir no clube e nos próximos eleitores as ótimas idéias oriundas de uma campanha de altíssimo nível, e que, mesmo em meio a tantas intercorrências e traições, conseguiu se manter firme na disputa.

