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Palavra do Magrão

Uma surpresa agradabilíssima

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5904

Ao contrário do que todos nós conhecemos das despedidas, sempre tristes e melancólicas, no futebol elas podem gerar uma euforia muitas vezes desconcertante para quem não conhece o meio.

Quando estamos em um ambiente desfavorável ou desconfortável, a saída torna-se inevitável para que possamos voltar a sorrir e a sentir prazer naquilo que fazemos, o que é especialmente verdade nas manifestações artísticas, sejam elas quais forem.

E só a aproximação dessa possibilidade já nos leva a uma “viagem” mais que saborosa. É o que vimos em Wagner Love, que demonstrou nos treinamentos da pré-temporada, ainda no Palmeiras, talvez muito mais futebol do que em todo o ano passado, quando voltou ao futebol brasileiro. Além da animação decorrente das férias, que fazem um bem danado a qualquer atleta, a possibilidade de mudar de ares o tornou mais leve, livre da pressão que tanto o afetou em 2009.

Love pôde desfilar todo o seu potencial nos primeiros dias do ano, o que acabou provocando dúvida na cabeça dos dirigentes alviverdes quanto a negociá-lo com o Flamengo ou não. Este sentimento de euforia teria, porém, seus dias contados, caso o clube paulista reavaliasse sua posição e lutasse pela permanência do jogador.

Está claro que ele já estava com a cabeça e o coração na Gávea, o que inviabilizaria um desempenho positivo e persistente durante toda a temporada que ora se inicia, mantida a mesma camisa. Isso sem contar com a perspectiva de maior suporte profissional, pois o time carioca é o atual campeão brasileiro e sem dúvida lutará pelo título mundial de clubes.

O inverso dessa euforia é o desânimo. Há alguns meses, quando Ronaldinho Gaúcho, o mais brilhante atleta brasileiro desta geração, declarava a sua expectativa em relação a uma possível convocação para a próxima Copa do Mundo, ainda que preterido pelo treinador nas últimas convocações, eu afirmava que quem o visse jogar naquele momento nem de longe poderia imaginar o que ele já jogou. E pior: aparentemente não queria mais ser o craque de então.

Percebíamos que ele entrava em campo para demarcar território como um grileiro qualquer em terras de outrem e por ali ficava o tempo todo sem esboçar uma única investida em espaços estranhos, como se esses não existissem ou lhe causassem alergias intratáveis.

Quando estava com a bola nos pés, continuava fazendo das suas. Mas os lances de gênio se limitavam a alguns excelentes lançamentos, caso algum dos seus companheiros resolvesse se mexer para recebê-los. Caso contrário, insistia em dribles corriqueiros, quase sempre para o lado, passes para trás ou em alçar bolas para a área, como se estivesse enfadado da rotina de jogadores de alto nível. Com aquela postura acomodada, ou melhor, resignada, creio que ele não queria e fazia uma força imensurável para não ser convidado nunca mais a jogar em time nenhum, muito menos na seleção brasileira.

Difícil entender, mas era isso o que eu via todo o tempo em que ele entrava em campo desde que chegara ao Milan. Era uma pena. Por outro lado, ele nos dava a exata noção do que a falta de ambição e perspectiva pode provocar em um ser humano.

Quem o viu jogar no domingo 17 na vitória de seu time teve, porém, uma agradável surpresa. Nada melancólico ou acomodado, ele mexeu-se o tempo todo, marcou, pediu para jogar, comandou a equipe e criou um sem-número de jogadas lindíssimas que, não fora o exagerado preciosismo, lhe teriam possibilitado uma tarde de cinco gols ou mais – uma exceção das mais raras no futebol italiano.

Parecia outra pessoa, outro jogador. Revigorado, eufórico, animado e em êxtase, ele nos proporcionou instantes de extraordinária beleza, demonstrando que tenta desesperadamente retornar aos seus melhores tempos de Barcelona, cuja torcida o tratava como um verdadeiro deus.

Pode ser que toda essa transformação tenha como pano de fundo uma carência incontrolável, irrefreável de voltar a defender a seleção. Para mim, no entanto, o sentimento em questão é mais profundo: uma incansável disposição para retomar o posto de o melhor do mundo que acredita ainda seja dele.

Pretensão dispensável, mas absolutamente razoável para quem já esteve no topo. Que essa euforia permaneça o tempo possível para que possamos usufruir o pouco que ainda resta de arte no futebol atual e que permanece em pés “gaúchos”. A alegria, o prazer, o Milan e a seleção nacional também agradecerão por mais momentos mágicos como os de domingo.

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. ANDRADE NETO

    **REFORMA PENAL PROPOSTA POR ANDRADE NETO**

    SABE, PAULINHO, UM DOS FATOS PELO QUAL ANDRADE NETO MAIS SE ORGULHA É O DE FAZER PARTE DA CRISTANDADE OCIDENTAL, FAROL CULTURAL E RELIGIOSO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO.

    NÃO OBSTANTE, HAVEMOS DE RECONHECER QUE O MUNDO ISLÂMICO GUARDA ALGUMAS LIÇÕES PRECIOSAS EM TERMOS DE DIREITO PENAL.

    NESTE QUESITO, DURO É RECONHECER QUE OS INIMIGOS DA LIBERDADE POSTAM-SE ANOS-LUZ À NOSSA FRENTE, SOBRETUDO EM SE TRATANDO DE BRASIL.

    VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS ILUSTRATIVOS PARA QUE O ARGUMENTO DESENVOLVIDO POR ANDRADE NETO TORNE-SE MAIS SUBSTANCIAL.

    CRIMES BÁRBAROS COMO CORRUPÇÃO, ESTUPRO, ROUBO, FURTO, LATROCÍNIO ETC. PODEM SOFRER SANÇÕES DIVERSAS EM PAÍSES ONDE REINA A LEI DO ALCORÃO.

    CORTES SUMÁRIOS DE PUNHOS E DE FALOS SÃO CORRIQUEIROS POR AQUELAS PLAGAS, BEM COMO HUMILHANTES CHIBATADAS EM PRAÇA PÚBLICA, O APEDREJAMENTO POPULAR, O VAZAMENTO DE OLHOS ETC.

    PENAS ALTERNATIVAS CERTAMENTE MAIS TEMÍVEIS DO QUE O BEM-BOM QUE OS “CADEEIROS” CONTUMAZES E OS POLÍTICOS E DEMAIS CORRUPTOS DO BRASIL ESTÃO ACOSTUMADOS.

    O CHOQUE DE MORALIDADE DEMANDADO POR ANDRADE NETO, FRANCISCO TERRA, JÔNEI, UM JUSTO E POR MILHARES DE CIDADÃOS DE BEM BRASILEIROS DEVE SER PRECEDIDO OBRIGATORIAMENTE POR SEVERAS ADMOESTAÇÕES IMPOSTAS PELO ESTADO.

    AS PENAS FÍSICAS E MORAIS DEVEM SER REEDITADAS COM O FITO DE SE ALCANÇAR A PAZ PÚBLICA E O DESALOJAMENTO DA CRIMINALIDADE ESTRUTURAL E ENDÊMICA AO POVO BRASILEIRO.

    PELA INCORPORAÇÃO DAS PENAS ALTERNATIVAS PRESENTES NO ALCORÃO EM TERRAS BRASILEIRAS!

    SEM ESTE IMPORTANTE PASSO SOMENTE ANDAREMOS PARA TRÁS.

    ASSINA A IDÉIA SUPRA-EXPOSTA ANDRADE NETO, VERITAS ODIUM PARIT.

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