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Palavra do Magrão

Recordações do GP Brasil

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5289

Esta é a semana do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Muitas de suas histórias eu pude acompanhar. Algumas com final feliz, como a primeira vitória de Ayrton Senna em Interlagos. E outras extremamente tristes, como a que coroaria Felipe Massa com o título do ano passado. Recordá-las é sempre bom.

Na corrida de alguns anos atrás, um desastre se anunciava. Os acidentes da véspera sugeriam isso. As modificações no regulamento para aquele ano focaram exclusivamente na promoção de um espetáculo mais interessante. Esqueceu-se de medir, contudo, quanto se perderia na segurança dos pilotos, os verdadeiros artistas do show.

A chuva incessante que se abateu sobre a cidade de São Paulo naquele dia desnudou as fragilidades dos pneus escolhidos com demasiada antecedência e, portanto, no escuro, reduzindo a dirigibilidade. Uma simples volta na pista se tornou um ato complexo e extremamente perigoso.

Horas antes da largada percebia-se um acúmulo absurdo de água em uma das curvas, revelando que nem a lógica de escoamento fora respeitada. Só faltava um batalhão de rodos para expulsar o lago recém-nascido. Com a diminuição da chuva, as imperfeições foram minimizadas e quase desvalorizadas. Com os carros alinhados, no entanto, se fez novo temporal. Os perigos eram claros, mas a festa não podia ser interrompida. E os carrões foram para a arena.

O lago se desfez, mas surgiu um rio a cruzar o caminho das poderosas máquinas. Poucos escaparam de escorregar ali. Pior foi a entrada na pista de um trator gigante para a retirada dos abalroados, enquanto os demais tentavam manter as rodas no chão. Por pouco um dos pilotos não foi de encontro àquele monstro invasor. Não poderia terminar de outra forma: dois acidentes arrepiantes tiraram o fôlego de todos. Pedaços de carenagem, pneus e feridos jogados na pista formaram a derradeira e sinistra imagem.

Há dois anos, a última corrida do mundial foi plena de emoção. Os dois pilotos com mais chances de sair de Interlagos com o título foram surpreendidos pelo belo desempenho dos carros da Ferrari e por uma série de imprevistos que alijaram o estreante Lewis Hamilton da disputa.

É importante aqui analisar os erros que cometeu o inglês em algumas provas da temporada. Por sua pouca idade e falta de maior experiência na categoria, foi por culpa desses erros que ele perdeu a oportunidade de se sagrar campeão logo no ano de estreia. Aqui, ele errou mais uma vez ao tentar dar o troco no companheiro Fernando Alonso, que o havia ultrapassado na largada e acabou saindo da pista e perdendo várias posições.

Depois, por uma falha no câmbio perdeu muito tempo e ficou nas últimas colocações. Não teve mais tempo para recuperar. O grande nome da prova foi o brasileiro Felipe Massa, que só não venceu porque jogou para o time e permitiu que seu companheiro se tornasse campeão daquele ano. Já havia, no entanto, boas perspectivas para 2008, quando Massa lutou pelo título até a última curva, mostrando que tinha capacidade de sobra. Precisava ter a sorte do seu companheiro de equipe naquela ocasião.

Neste ano, o brasileiro que continua lutando é Rubens Barrichello, que sempre afirmou que um dia iria buscar o título. Algumas vezes de forma bem contundente. Exceto neste ano, contudo, ele jamais teve qualquer chance. Ainda que o campeonato não tenha terminado e que possa até brigar pelo seu sonho, aparentemente, ele perdeu a oportunidade.

Lembro-me que suas declarações muitas vezes beiravam o exagero, como quando corria com Michael Schumacher na Ferrari. Ali, acredito, tentava se estimular para ter uma temporada melhor que as anteriores e saía por aí pregando que podia vencer o alemão, quando todos sabiam que isso era impossível não só pelo talento como pela forma como a equipe tratava os dois. Ou seja, Rubens estava absolutamente distanciado da realidade.

E foi assim em praticamente todas as temporadas passadas. Pipocava pela imprensa uma série de afirmações feitas pelo brasileiro, e jamais em tempo algum ele conseguiu se aproximar do companheiro de equipe. Mais de meio segundo separavam os dois. Então, pensávamos, seria mais razoável ele evitar se expor tanto e tentar, com muito trabalho, melhorar seu desempenho.

Quem sabe assim, e com um pouco de sorte, ele pudesse abocanhar mais vitórias que o costume. Vitórias que também faltaram neste ano, em que o equilíbrio prevaleceu. De qualquer forma, Rubens renasceu. E quem sabe vencerá em casa pela primeira vez.

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3 comentários em “Palavra do Magrão”

  1. Paulinho: acredite se quiser: sou palmeirense roxo e fâ do Sócrates. Enquanto ele ainda nos encanta com o que escreve, temos um boçal como o Neto que acaba de postar no blog dele um texto defendendo o atual presidente do Corinthians no caso dos torcedores na área vip … já questionei você antes sobre este assunto e não entendo como o Neto não recebe nenhuma crítica no seu blog ao contrátio de outros corinthianos.

  2. Existe uma distância enorme de Sócrates e Neto.
    Sócrates é mil, dez mil, cem mil vezes mais lúcido falando sobre qualquer assunto do que Neto, que fala muita abobrinha, muda de opinião a todo instante e o mais engraçado, ele é contraditório, pois se ele defende o presidente toda hora, sempre critica a presidência ao mesmo tempo.

  3. Pessoal, o Neto é bom carater, amigo dos amigos, credulo como todo matuto. Não tem cultura, preparo, formação, mas suas opnioes sao sinceras, e só ver as respostas que da a quem o critica, embora pouco elaboradas, sao respeitosas, não ofende quem o critica nem bloqueia os comentarios contrarios, que sao muitos.

    Tem muito colunista empolado por ai e por aqui, que age de forma totalmente irracional ao ser criticado e tem muito mais cultura e preparo que o Neto.

    Le o blog dele quem quer, o cara tem o direito de se manifestar, ainda que eu tambem nao entenda a defesa que ele faz de certas pessoas, mas nao acho que seja algo de sujo ou mal intencionado.

    Claudia Cristina Pereira

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