Golpe bolsonarista escancarado

Por ROQUE CITADINI
O lançamento do livro “Eu disse não – uma trincheira antigolpista”, do brigadeiro Carlos Baptista Junior, comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, enterra de vez a narrativa da extrema direita de que não houve tentativa de golpe em 2022/2023.
A trama golpista era clara e começou com a contestação da urna eletrônica; seguiu, após a derrota, com bloqueios de estradas e concentrações nas portas dos quartéis.
Tudo isso ocorria, mas a principal articulação dos golpistas se dava na cúpula política do governo, que buscava envolver os militares no golpe.
O livro deixa claro que era uma trama de Bolsonaro e sua turma para anular as eleições, prender ou matar os inimigos e manter-se no poder.
A arruaça do dia 8 de janeiro foi apenas um ato de desespero de pessoas abandonadas pela covardia de Bolsonaro e de seus próximos.
Não sobra qualquer dúvida de que o ex-presidente e seu grupo tentou, articulou e tramou o golpe.
Foi a falta de apoio dos militares e a atuação corajosa do ministro Alexandre de Moraes que barrou a loucura golpista.
Sabemos agora que um dos comandantes antigolpistas disse ao ex-presidente que, se aquele caminho fosse seguido, ele, como comandante, teria de decretar sua prisão por conspiração golpista.
Não fica mais uma pedra sobre a narrativa dos bolsonaristas de que não havia trama e que tudo se resumiria a velhas senhoras com bíblia na mão e ao resmungo com o resultado eleitoral.
Houve a trama, e o golpe fracassou.
*Publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

