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Palavra do Magrão

Questão de valores

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3492

O melhor obstetra de uma pequena cidade do interior recebeu a notícia que mais ansiosamente aguardava, desde que havia se casado: sua mulher, finalmente, estava grávida. Depois de anos de luta para atingir seu objetivo, o jovem casal viu coroados os esforços para a vinda do primeiro rebento da família. Tudo era felicidade nos meses que se seguiram. Todos os pré-natais ocorreram dentro do esperado. O bebê crescia forte e sadio e a mãe nada sentira durante toda a gravidez. Finalmente, chegou o grande dia. Decidiram por uma cesariana. Dona Rosa, a parturiente, estranhou que o marido marcasse o parto para aquele dia especificamente, já que normalmente ele não trabalhava aos sábados.

Questionou a escolha e ficou sabendo que um colega do marido realizaria a intervenção. Ele, o pai, não teria condições psicológicas para uma ação madura e consistente em caso de emergência. Era mais correto que outro ocupasse o seu lugar. Normalmente é assim que se procede quando há um forte envolvimento emocional entre médico e paciente. Em geral, pura precaução, mas necessária para evitar dissabores.

É o que deve ser avaliado, por exemplo, na cobrança de pênalti por parte de um jogador que foi destaque em alguma polêmica na semana anterior ao fato. Ele certamente não terá a mínima condição para enfrentar qualquer desafio. O resultado, obviamente, é o pior possível.

Continuamos a não saber o que temos em mãos

Depois de nos esbaldarmos com a organização e o planejamento apresentados na Copa de Alemanha, me dá medo (e espero não passar vergonha) pensar no que oferecemos aos nossos visitantes em 2014. Vocês devem se lembrar de como nossos cartolas tratam o nosso futebol. Mesmo campeões do mundo inúmeras vezes, temos de nos contentar com estranhas ações empreendidas por nossa classe dirigente. Qualquer ser minimamente decente e lúcido tem em conta que o calendário do nosso futebol é de uma perversão absoluta. Com o público, com os jogadores, com o próprio futebol.

Esta é uma atividade artística e deveria ser tratada como tal. O fato de termos durante a temporada uma enxurrada de jogos semelhantes tira completamente o valor dos mesmos – vejam a Liga dos Campeões. É como se Chico Buarque, de uma hora para outra, resolvesse cantar no mesmo lugar uma centena de vezes sem intervalo. É claro que, mesmo que seja imensamente apaixonado por sua obra, o público cansará e em pouco tempo não haverá mais plateia condizente com o porte do espetáculo. Temos oferecido insistentemente a Ferrari que possuímos como se fosse um lápis preto desses de iniciação escolar. Um é um produto único, com raríssimos concorrentes. O outro, é um produto que tem uma concorrência absurda, com uma infindável lista de fabricantes. Um, é caro e difícil de ser adquirido. O outro, podemos escolher pelo melhor preço. Não sabemos, na verdade, dar valor ao que possuímos.

Convivendo com a insensatez

Os assessores de Ronaldo, sejam lá quem forem, trocam as bolas na forma como agem em nome do atleta. Tratam seu produto como se fosse o imenso nabo colhido por José Serra na campanha para presidente, em que levou uma surra sem dó de Lula. Tratam-no como uma banana ou um prego. Qualquer coisa, menos um ser humano. Especular com o nome dele para tentar auferir melhores condições de contrato é muito materialismo para o meu gosto. Quando Ronaldo ainda estava em recuperação de uma de suas cirurgias, os de então foram avalistas de uma redução de salário proposta pela Inter de Milão e imposta pelo mercado em retração. Naquele momento, nem de longe pensavam em ação semelhante à de agora. Bastou ter em mãos novamente o Fenômeno, com possibilidade de produzir mais jogadas de marketing e com um parceiro do porte de um Corinthians, para saírem à caça de mais grana.

Pensar nas consequências desses atos, nem de longe. Até porque não são eles que sofrem com as reações. É claro que o jogador tem culpa também por permitir que isso aconteça, mas o que está em questão é a qualidade do serviço que esses senhores prestam ao profissional de futebol. Assessores não devem só brigar por um contrato mais valioso, e, sim, oferecer discernimento, conhecimento e bom senso. Exatamente o contrário do que acompanhamos nesses últimos meses ou quase sempre. Depois se põem a fazer a estrela, com a cabeça baixa, passar um bom tempo explicando a insensatez. E o pior é que a Fiel não quer saber de outra coisa que não gols e mais gols, além do belo futebol de dez anos atrás. Imaginem a confusão daqui a algum tempo.

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Um comentário sobre “Palavra do Magrão

  1. CONTRA A IMPUNIDADE

    Precisamos lembrar ao senhor Paulinho, dono do blog, que nós torcedores e trabalhadores que pagam impostos e suas contas em dia; nós que participamos de eleições e tentamos nos fazer representar da melhor maneira possivel, estamos INDIGNADOS com a demora referente ao processo de apuração e punição dos responsáveis pelo caso do gás na semi-final do campeonato paulista de 2008.
    Mesmo após o JORNAL LANCE ter divulgado que durante as escutas telefônicas no caso da máfia dos ingressos, foram encontradas/criadas provas ( gracações de conversas ) do envolvimento de torcedores e dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras, estranhamente notamos “morosidade” no processo.
    Gentilmente solicitamos ao caro jornalista, que nos informe, cobre, investigue.
    Nós não queremos de forma alguma ter gente desta espécie vestidos de representantes mascarados de pessoas de bem em nosso meio.

    QUE SE INVESTIGUE, QUE JULGUEM E PRINCIPALMENTE QUE PUNAM OS RESPONSÁVEIS.

    NÃO A IMPUNIDADE !!!

    PS. Obrigado Juca Kfouri por se alistar no exercito dos que querem a VERDADE, agradecemos a mencao do caso toda segunda-feira no Linha de Passe da ESPN.

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