Kia Joorabchian, a verdade

Da Caros Amigos


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Natalia Viana, Marina Amaral, João de Barros e Renato Pompeu.
Colaboraram Andrea Dip, Thiago Domenici, Marcelo Salles (no Rio) e Cauê Llop (em Londres). Foto: Alexandre Battibugli.

De onde ele vem?

Trecho da reportagem de Natalia Viana

Quem é Kia Joorabchian, esse misterioso iraniano que está pondo em polvorosa o futebol brasileiro? Quem compõe o grupo que ele diz representar e que está investindo milhões de dólares no Corinthians, enfeitiçando diretores e torcida? Sete repórteres saíram a campo e um editor lançou-se à pesquisa para tentar responder a essas interrogações e o resultado é um quadro cheio de lances espetaculosos, figuras sinistras, acusações graves, suspeitas inquietantes, tudo isso envolvendo uma série de pessoas que atuam fora do campo de jogo. Uma história escandalosa que começa com sotaque russo e, certamente, não vai parar por aqui.


Ninguém sabe direito a história da vida dele, nem como o jovem iraniano Kia Joorabchian, de apenas 33 anos, entrou no mundo dos investidores milionários que nunca dão as caras. Mas uma boa pista pode ser encontrada em um pequeno escritório em Miami, Flórida, onde um quirguistano alto e bem-apanhado mal consegue conter a revolta ao ouvir o nome de Kia.

– O que? Um baixinho, iraniano?!? Ele me roubou 21 milhões de dólares! Onde ele estiver, eu destruo ele! Como uma barata!
Kia Joorabchian apareceu no Brasil em meados do ano passado com uma promessa caída do céu: transformar o cambaleante Corinthians num time de “galácticos”. O plano era perfeito, não fosse um pequeno detalhe: passados seis meses de sua provocadora chegada ao país, ninguém tem a mínima idéia de quem é ele. Como disse curto e grosso Ronaldo Pinto, presidente da Gaviões da Fiel: “Chega um cara que ninguém sabe de onde vem, que não é corintiano, e compra o time? Quem são eles? Ninguém sabe”. O assessor Fernando Mello soma ainda mais à aura de mistério: diz que Kia não gosta de falar de sua vida pessoal “por uma questão de segurança”.

O pouco que se sabe é nebuloso, e novos boatos surgem na imprensa a cada semana. Não é para menos: ele aparece em registros públicos na Inglaterra com cinco identidades, nas quais variam sua nacionalidade – canadense ou inglesa –, sua idade – 33 ou 34 anos – seu nome – Kiavash Joorabchian, Kia Joorabchian e Kia Kiavash – e até a data do nascimento – 14 ou 25 de julho.

Kia teria nascido na cidade de Teerã, capital do Irã, onde sua família seria do ramo automobilístico. De lá, teria ido para a Inglaterra aos 6 anos (ou 10), onde a família abriu várias empresas, principalmente revendas de automóveis. Ele já disse que teria se formado em ciências ou business – dependendo do repórter que faz a pergunta – na universidade Queen Mary, afiliada à University of London. Em entrevista pelo telefone, afirmou que estudou química e depois mudou de curso para business, mas não chegou a se graduar.

Uma coisa é certa: Kia começou nos negócios ajudando na revendedora de automóveis Mercedes-Benz do pai, Mohammad, a Medway Autos, em Kent, ao sul de Londres. Depois, foi funcionário da Bolsa de Petróleo de Londres.

Em 1997, conheceu Roy Azim, ou Ruslam, o nome russo desse cidadão do Quirguistão, que é dono da International Consultants LLC, empresa de consultoria internacional para investimentos nos ramos imobiliário, farmacêutico e financeiro. Aos 47 anos, com clientes principalmente na Rússia, onde morou durante muitos anos, e conexões nos principais círculos de negócios dos países da ex-URSS, Azim garante que teve Kia como leal amigo e fiel escudeiro até 2001, ano em que desapareceu sem deixar vestígios.

Na edição que já está nas bancas você poderá ler tudo sobre a parceria do MSI-Corinthians:

A VITÓRIA DE KIA
O jornalista João de Barros investigou como Kia conquistou o presidente Dualib, que convenceu o Conselho Deliberativo a aprovar o contrato. Diante da derrota iminente, a oposição atacou a parceria, com denúncias de corrupção, de favorecimento e malversação de verbas. No final, venceu a força do dinheiro.

CASO DE POLÍCIA
Aprovada a parceria, a disputa foi para a prorrogação. Primeiro, num distrito de bairro, onde o delegado Tuma deu queixa de tentativa de suborno e ameaça de morte. Entraram em campo também a Abin – Agência de Informações do governo federal, o FBI e a Interpol por causa da suspeita de lavagem internacional de dinheiro. Por Marina Amaral.

AMIZADES PERIGOSAS
Os personagens que estariam por trás das negociações com o Corinthians têm um rosário de culpas no cartório. Por Renato Pompeu

UM CRÍTICO MODERADO
O ex-vice-presidente de futebol do Corinthians, Antônio Roque Citadini perdeu o lugar com a chegada de Kia. Ele é uma das forças contra a parceria, por razões que expõe na entrevista ao repórter João de Barros.

UM DEFENSOR CONVICTO
No contraponto a Citadini, João de Barros foi ouvir o presidente corintiano, o homem que assumiu o contrato de parceria com Kia.

O “ESCRITÓRIO” DE KIA
Kia é sócio-proprietário de nove empresas sediadas em Londres – de academias de artes marciais a uma revendedora de motores –, todas, inclusive a Media Sport Investement Limited, têm capital social de 1.000 libras esterlinas e estão registradas no mesmo endereço: 71 Kingsway, 5º andar. O repórter Cauê Llop foi ao endereço e conta o que viu.

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