Os choros de Messi e Neymar

O giro final de Lionel Messi em uma Copa do Mundo, independentemente do resultado, comprova, mais uma vez, o atleta de caráter que esse gênio argentino sempre foi.
Suas lágrimas ao final de mais uma árdua batalha, na espetacular virada contra o Egito, emocionaram o planeta porque eram nitidamente verdadeiras, espontâneas e correram pelo rosto de alguém que ainda consegue sentir o futebol, mesmo depois de conquistar todos os títulos possíveis em uma carreira gloriosa.
A Argentina tem um ídolo de verdade.
O time argentino, um líder.
Não por acaso, acumulou ótimas campanhas nas últimas Copas do Mundo, com um título, vice-campeonatos e, agora, mais uma possibilidade de conquista.
E o Brasil?
Nossa situação é diametralmente oposta.
A era Neymar é marcada pelo fracasso, pela ausência de um exemplo — como Messi — capaz de fazer os demais atletas se doarem em dobro, como ocorre na Argentina, simplesmente por acreditarem que o sacrifício vale a pena.
Ninguém duvidava — porque hoje já não acredita — da capacidade técnica e da habilidade do garoto que surgiu na Vila Belmiro aparentando que se tornaria um craque da bola.
Erramos todos.
Acertaram aqueles que, como seus primeiros treinadores, apontavam uma deficiência de caráter.
Isso ficou evidenciado no crepúsculo da trajetória de Neymar na Seleção.
Após o gol da Noruega, enquanto seus companheiros ansiavam pelo rápido reinício da partida e pela possibilidade de, quem sabe, buscar o empate, o sujeito preferiu posar para as câmeras, fazendo-se de brigão.
Depois do apito final, tentou posar de vítima de um destino que vem sendo traçado, há anos, por seu próprio comportamento.
As lágrimas de Neymar não podem ser comparadas às de Messi.
Por diversas razões, esportivas e humanas, mas, principalmente, pela origem.
O argentino chorou de felicidade e gratidão pela oportunidade de continuar ajudando a Argentina a chegar ao topo.
Neymar chorou porque, pessoalmente, saiu derrotado.
Messi jamais será esquecido.
Daqui a alguns anos, Neymar será apenas uma nota de rodapé em um dos períodos mais tristes da história do futebol brasileiro.

