Efeito Janones mudou a campanha eleitoral e deixa um legado para a democracia

Independentemente do que se pense sobre André Janones (Rede-MG), de seu comportamento, métodos ou posições políticas, é impossível negar: o deputado protagonizou a mais impressionante mobilização digital da esquerda brasileira e tornou-se personagem fundamental na disputa pela preservação da democracia nestas eleições.
O chamado “Exército do Lula”, criado e comandado por Janones, ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores no WhatsApp, organizando, orientando e entusiasmando milhões de pessoas que, até então, assistiam à extrema direita dominar quase sem resistência o ambiente digital.
Janones compreendeu algo que parte significativa da esquerda demorou anos para perceber: nas redes sociais, não basta ter razão, produzir bons argumentos ou denunciar mentiras.
É necessário ocupar espaços, disputar narrativas, mobilizar pessoas e enfrentar adversários com intensidade.
E fez isso como ninguém havia conseguido no campo progressista.
Transformou militantes dispersos em uma comunidade organizada, deu sentido de pertencimento a milhões de brasileiros, estabeleceu tarefas coletivas e demonstrou que o engajamento popular pode enfrentar até mesmo a aparente supremacia dos algoritmos que favorecem grandes influenciadores conservadores.
O impacto foi tamanho que incomodou a campanha bolsonarista, provocou disputas no Tribunal Superior Eleitoral e alterou a dinâmica da batalha digital.
Indicadores de relevância nas redes, inclusive os acompanhados pela Quaest, passaram a registrar o crescimento da presença de Lula no ambiente virtual.
Neste momento, Janones comanda a chamada “Live da Virada”, uma maratona de 24 horas que já mobilizou audiências extraordinárias.
Na madrugada, a transmissão chegou a reunir cerca de 800 mil espectadores simultâneos durante a participação de Lula, demonstrando que a militância digital deixou de ser apenas espectadora para assumir papel ativo na disputa eleitoral.
Mais do que números, o fenômeno revela uma mudança de comportamento.
A esquerda, historicamente mais habituada à mobilização nas ruas, nos sindicatos e nos movimentos sociais, descobriu que também pode construir uma poderosa organização popular no universo das redes.
Não é necessário concordar com tudo o que Janones diz ou faz para reconhecer a dimensão de seu trabalho.
Eventuais excessos não apagam o mérito de ter despertado milhões de pessoas para a participação política e ajudado a romper um domínio digital que parecia consolidado.
Seja qual for o resultado das urnas, o “efeito Janones” já entrou para a história política brasileira.
Em uma eleição na qual a democracia está em jogo, André Janones mostrou que a esquerda também sabe mobilizar multidões nas redes sociais.
E deixou uma lição que não deveria ser desperdiçada: a defesa da democracia exige, além de argumentos e convicções, organização, coragem e capacidade de comunicação popular.

