A farsa dos R$ 4 bilhões na venda da SAF do Vasco

A direção do Vasco anunciou aos conselheiros uma operação de R$ 4 bilhões para justificar a entrega de 90% da SAF à Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

O número, porém, é uma peça de propaganda.

Dos valores anunciados, R$ 500 milhões seriam destinados ao futebol, divididos em cinco anos; R$ 150 milhões à construção de centros de treinamento; e R$ 1,5 bilhão à cobertura de déficits operacionais.

Nada disso representa pagamento ao Vasco pela aquisição de suas ações.

São investimentos na própria empresa que os Lamacchia passarão a controlar.

Há ainda R$ 1,3 bilhão em dívidas, em que o desembolso efetivo poderá ser menor em razão dos descontos decorrentes da recuperação judicial e das renegociações tributárias.

Outros R$ 80 milhões correspondem a empréstimo anterior da Crefisa, convertido em participação acionária.

Somando-se essas obrigações e o valor ainda desconhecido a ser destinado à antiga controladora, 777 Partners, a operação pode ficar próxima de R$ 1,5 bilhão.

Mesmo esse montante não representa dinheiro entregue ao clube pela compra.

O Blog do Paulinho já havia denunciado, em setembro, que o Vasco estava sendo adquirido, na prática, por valor irrisório.

Pior: não está claro se parte dos recursos prometidos para cobrir déficits também será utilizada no pagamento das dívidas, o que permitiria contabilizar compromissos sobrepostos para inflar o anúncio.

O negócio ainda apresenta outra aberração: diferentemente do contrato anterior com a 777, não há cláusula específica que assegure ao Vasco a retomada do controle da SAF em caso de descumprimento das obrigações, embora existam multas e outros mecanismos de cobrança.

O clube associativo, que possuía 30% da SAF, ficará com apenas 10%.

Tudo isso em meio ao escandaloso conflito de interesses envolvendo a família Lamacchia e o Palmeiras, reiteradamente denunciado pelo Blog do Paulinho e ainda submetido à análise dos órgãos reguladores.

José Roberto Lamacchia, pai do comprador, marido de Leila Pereira e conselheiro palmeirense, participa da operação como garantidor financeiro.

Os dirigentes do Vasco vendem a negociação como salvação.

Os Lamacchia ficam com o patrimônio esportivo de uma instituição centenária.

E o torcedor, novamente, é convidado a acreditar em números que não resistem a uma análise minimamente séria.

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