7K, Vorcaro e Nickolas: a conexão que merece investigação

O nome de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, surgiu de maneira relevante no universo das apostas ao se tornar público que ele teria mantido participação indireta na bet.bet, por meio de estrutura societária que não o expunha formalmente como beneficiário final.
Segundo documentos e reportagens já divulgados, a empresa tinha 30% de seu capital nas mãos da Bet Participações S.A., controlada pelo Oracle Fundo de Investimento em Participações, administrado pela Reag.
Ao Ministério da Fazenda, porém, o beneficiário indicado era Adriano Garzon Correa, sem menção direta a Vorcaro.
O dado ganha importância porque, pouco depois, a Open Gaming, dona da bet.bet e da DonaldBet, foi adquirida pela RNGX Holding, grupo que controla a Ana Gaming, operadora das bets 7K, Cassino e Vera.
É aí que Daniel Vorcaro passa a se conectar, ainda que indiretamente, ao grupo de Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming.
Na primeira reportagem, o Blog mostrou que o núcleo ligado à 7K envolve também Alessandro Galvão Valente, Yudi Osugui e Manuel João Cavaco de Matos, sócios da iGaming Future.
Alessandro ainda aparece, por meio da AYA Participações, na estrutura empresarial que leva à Ana Gaming, operadora de 7K, Cassino e Vera.
Também surgem nesse entorno Abelardo Dantas Alvares e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, ambos relacionados à estrutura da Ana Gaming e citados na Operação Narco Bet.
Na ocasião, fonte do Blog relatou ainda a existência de sócios ocultos e laranjas na operação da 7K.
É justamente por isso que a entrada de Daniel Vorcaro nesse circuito ganha peso: se ele já apareceu por trás da estrutura societária de uma bet posteriormente incorporada ao mesmo conglomerado, a suspeita de que sua atuação no setor fosse mais ampla passa a exigir investigação.
No início de setembro, revelamos detalhes da estrutura empresarial ligada à Ana Gaming e mostrado que personagens ligados ao grupo apareciam também no radar da Operação Narco Bet, investigação da Polícia Federal que resultou em denúncia do Ministério Público Federal por suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica.
Entre os denunciados está justamente Nickolas Tadeu Ribeiro, além de outros personagens relacionados à estrutura empresarial do grupo.
Segundo a denúncia do MPF, empresas e plataformas ligadas ao setor de apostas teriam sido utilizadas como instrumentos para movimentação e ocultação de recursos.
Entre as estruturas mencionadas aparecem Ana Gaming Brasil, Cactus Tecnologia e a própria 7K.
Os investigadores sustentam que essas engrenagens empresariais poderiam servir para separar a titularidade formal do verdadeiro controle econômico, permitindo a ocultação dos beneficiários finais e a circulação de valores por diferentes caminhos.
Se o banqueiro realmente atuou de forma oculta em uma empresa do setor posteriormente incorporada ao ecossistema de Nickolas, a hipótese de que sua participação no ramo das bets não se limitasse à bet.bet passa a merecer apuração rigorosa.
Segundo informações, Vorcaro seria sócio oculto não apenas da bet.bet, mas também de operações relacionadas às bets controladas pelo grupo de Nickolas, entre elas a 7K, a Cassino e a Vera.
A suspeita é de que essas estruturas possam ter sido utilizadas para movimentar e eventualmente lavar recursos ligados ao esquema investigado no caso Banco Master.

