A missa da Arena
Da “FOLHA”
Promotor põe Arena em risco
Ministério Público diz que novo estádio fere Plano Diretor
EDUARDO OHATA
BERNARDO ITRI
DO PAINEL FC
A obra da Arena Palestra corre risco de ser embargada por causa de possíveis irregularidades detectadas pelo Ministério Público, que já fixou prazo de dez dias úteis para prefeitura e clube prestarem esclarecimentos.
Se isso não ocorrer, a obra será embargada. A área, apesar de propriedade particular, integra o sistema de áreas verdes do município.
No entender do promotor José Carlos Freitas, a obra fere os artigos 140 e 144 do Plano Diretor da cidade.
O primeiro, dita que 40% da área tem de se manter permeável. “Não é porque há um campo de futebol que isso está garantido. Se embaixo do gramado tem os vestiários, então o artigo 140 não é contemplado”, disse Freitas.
O 144 prevê que nenhuma ampliação de uso na área é permitida, salvo casos justificados por questões de interesse público, como segurança ou moradia social.
“A previsão é de erguerem prédio administrativo, garagem, quadras verticalizadas e vestiários. Gostaria de entender a relação entre interesse público e a exploração do empreendimento pela WTorre”, explica o promotor. “No meu entender, o Plano Diretor da cidade foi violado”, acusou Freitas.
Para José Cyrillo Júnior, diretor de planejamento do Palmeiras, não há possibilidade de embargo da obra. “A prefeitura aprovou o projeto e viu o cumprimento de todas as exigências do Plano Diretor da cidade”, afirmou.
A obra da Arena Palestra, segundo ele, tem 18% da área permeável. “Em 2000, quando fiz as últimas alterações no projeto, o mínimo de área permeabilizada exigida pela prefeitura era de 15%. Essa história de 40% é da lei nova. E, se já foi aprovado pela prefeitura com 18%, não vejo razão para se mexer”, completa Cyrillo, que é o responsável no clube pelo gerenciamento da obra.
No início deste mês, o prefeito Gilberto Kassab foi pessoalmente ao Hospital Sírio- -Libanês, onde estava internado o presidente licenciado do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo, para entregar o alvará de construção do novo estádio do clube.
Porém a possibilidade de que o projeto seja alterado irrita a diretoria palmeirense. “Se a prefeitura mandar mexer no projeto que estamos trabalhando, eu a processo porque ela [prefeitura] aprovou a obra e nos deu o alvará”, afirma Cyrillo Júnior.
Dentro do próprio Palmeiras as obras da Arena Palestra enfrentam resistência.
O comitê de conselheiros do clube destacado para acompanhar as obras protocolou nesta semana na secretaria do clube pedido de uma série de informações, que inclui a existência de seguro, a retificação da área do terreno do clube e o cronograma de obras, sem o qual as reformas não poderiam seguir.

