Europa, imigração e futebol

Por ROQUE CITADINI
A opinião do ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, de que a França joga em alto nível, mas não é francesa resume bem o que pensa a direita europeia.
O novo populismo europeu, tão festejado por aqui, apresenta os novos perseguidos, e estes são os imigrantes.
No passado eram os judeus; hoje são os imigrantes.
Africanos na cor, islâmicos na religião são os novos demônios que a ultradireita europeia elegeu para apedrejar.
Curioso como o futebol mostra um mundo em transformação que uma parcela da política procura explorar usando o ódio e a discriminação.
As duas grandes seleções nesta Copa (e mesmo nas anteriores) provam que a imigração dá frutos positivos aos países que acolhem os fugidos de guerras e da fome.
França e Espanha têm filhos de imigrantes brilhando com a bola no pé. Bélgica, Holanda e até Alemanha vão na mesma rota.
A Itália faz o caminho oposto.
Seu governo trabalha para prender e expulsar imigrantes.
O resultado em campo é uma seleção branquinha, sem filhos de imigrantes, e ruim de bola.
O governo atual italiano, entre suas loucuras, chegou a propor uma barreira naval para bloquear famintos e fugitivos de guerra que procuram a Europa.
Felizmente, a Espanha desse Mariano Rajoy (festejado nome da direita franquista) tem o corajoso atual primeiro-ministro, Sanchez, que está em processo de regularização de quase 1,5 milhão de imigrantes ilegais que estão na Espanha trabalhando e construindo suas vidas.
A França tem craques em campo e a Espanha também, não é?
Eles são filhos de imigrantes e são exemplos de que a tolerância vence o ódio.
*Publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

