O que levou o Corinthians a Cascavel?

Bi-campeão mundial, capaz de arrastar multidões por onde quer que entre em campo, o Corinthians se humilhou ao disputar uma partida amistosa em um pasto localizado na cidade de Cascavel, diante da equipe local, que disputa a quarta divisão do Brasileirão.
Jogadores expostos a contusões, mas intermediários satisfeitos.
Resta saber quais diretores também estão entre eles.
Ou alguém acredita que esse tipo de iniciativa ocorreria em benefício do Corinthians, que, para participar dela, perdeu dias importantes de treinamento pouco antes da retomada do Campeonato Brasileiro?
Os suspeitos são óbvios.
Logo após o Blog do Paulinho revelar que o clube teria cedido, segundo informações, gratuitamente, os direitos de transmissão à XSports, emissora que tem o conselheiro Paulo Garcia como proprietário, sua equipe de comunicação tratou de distribuir à imprensa um comunicado, publicado como notícia — sem a menor checagem — informando que uma empresa chamada Full Time, representada por um tal Vinicius Dias, teria pago R$ 2 milhões ao Alvinegro, quantia que incluiria os direitos de transmissão da partida.
Não se encontra na internet, porém, praticamente nada sobre a empresa nem sobre o suposto representante.
Podem até existir, mas são, ao que tudo indica, irrelevantes no segmento.
Provavelmente, intermediários de quem não poderia aparecer ou pessoas ligadas a esses interesses.
É tudo muito estranho.
Ainda que o Corinthians tenha recebido a quantia — equivalente ao que costuma arrecadar em Itaquera sem a necessidade de deslocamento e sem expor seus atletas aos riscos verificados em Cascavel —, é impossível, salvo a apresentação de documentação que comprove o contrário, mensurar se, no meio de toda essa operação, também havia dinheiro da XSports.

Ontem, Henrique Mazzei, head de conteúdo da emissora, entrou em contato com o Blog do Paulinho e desmentiu que a negociação para a exibição do jogo do Corinthians tenha sido realizada pela família Garcia.
No entanto, não apresentou qualquer evidência em sentido contrário.
“Cara, prejudica muito você dizer que o amistoso do Corinthians veio de graça e que essa negociação foi feita pela família Garcia”
“A gente rala pra conseguir um jogo e você escreve que veio na amizade”
“Irresponsabilidade com quem tá tentando construir o negócio”
“Tem muita gente trabalhando e sonhando com esse projeto”
“O que você publicou hoje é desconexo com a realidade e injusto com quem batalhou pra trazer o jogo pra cá”
Reiteramos: a informação obtida dentro do Parque São Jorge, junto a pessoas ligadas à diretoria, é a de que não houve pagamento pelos direitos de transmissão, apenas pela compra do evento, investimento que os adquirentes recuperariam por meio do abusivo preço dos ingressos, da venda de patrocínios e, tudo indica, da cessão dos direitos à Sportv, que, diferentemente da outra emissora, deve ter pago para exibir a partida.
Ainda que tudo estivesse correto e todas as informações “oficiais” fossem confirmadas — inclusive a de que Paulo Garcia, em vez de parasitar o clube, tivesse desembolsado alguns trocados em meio à mixaria recebida pela agremiação —, não há como justificar tamanho desgaste.
Sob qualquer aspecto, seja esportivo, comercial ou, principalmente, institucional, foi triste ver o Corinthians, que já pisou nos maiores palcos do futebol mundial em busca de conquistas inesquecíveis, mendigando um prato de comida em Cascavel.
É o resultado do descaso de cartolas que, há anos, quando não assaltam diretamente o clube, permitem os saqueamentos cotidianos que ocorrem, a cada minuto, no Parque São Jorge.


