Delação de dono da REAG/PCC assombra cartolas do Corinthians

A informação, divulgada por O Globo, de que João Carlos Mansur, fundador da REAG, caminha em direção a um acordo de delação premiada certamente tirará o sono de muita gente no Corinthians.
Principalmente de cartolas que, ao longo dos últimos anos, participaram, autorizaram ou silenciaram diante da presença da empresa na administração das finanças da Arena de Itaquera.
A REAG chegou ao Corinthians durante a presidência de Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves.
O intermediário foi Adriano Monteiro Alves, irmão do então presidente — o mesmo personagem que havia apresentado a bandida TAUNSA ao clube.
Em 2022, a REAG já aparecia como gestora do FIP SCCP, fundo criado para participar da estrutura financeira do estádio.
No ano seguinte, com voto favorável do próprio Corinthians, assumiu também a gestão do Arena Fundo.
A partir daí, os problemas se acumularam.
Sob a REAG, balanços deixaram de ser publicados regularmente, a auditoria foi entregue a uma empresa cujo proprietário era sócio da própria gestora e desapareceram dos informes do Arena Fundo cerca de R$ 100 milhões que, durante anos, apareciam contabilizados como valores devidos pelo Corinthians em razão de receitas do estádio que não teriam sido repassadas.
Quando a situação da REAG se tornou insustentável, diante das acusações de gerenciamento de dinheiro ligado ao PCC, esperava-se que o Corinthians rompesse completamente com essa estrutura.
Aconteceu algo bem diferente.
Em 1º de abril deste ano, a assembleia que formalizou a substituição da gestora foi conduzida pela CBSF, nova denominação da própria REAG, com o mesmo CNPJ.
A assinatura de Mansur consta no documento.
Nessa mesma operação, os cotistas — entre eles o Corinthians — concederam à administração que deixava o fundo quitação ampla, geral, irrevogável e irretratável sobre os atos praticados anteriormente, inclusive em relação a fatos que eventualmente ainda fossem desconhecidos.
Também foram aprovados, em bloco, os atos da gestão anterior, apesar de as demonstrações financeiras de 2023, 2024 e 2025 não terem sido auditadas.
A suposta ruptura foi de ‘fachada’.
Cerca de 50 fundos anteriormente ligados à REAG migraram para a Asarock — ‘nova’ parceira alvinegra, formada por profissionais oriundos daquele mesmo ambiente.
No caso específico do Corinthians, nomes como Danilo Rodrigues Rua e Luiz Felipe Santoro (irmão de Rozallah Santoro) continuaram transitando entre estruturas relacionadas à REAG, Asarock, Arena Itaquera e fundos vinculados ao estádio.
Uma delação, principalmente se dinheiro do alvinegro tiver se misturado ao do crime organizado ou retornado aos bolsos de determinados cartolas, poderia esclarecer o que ninguém, no Parque São Jorge, parece querer contar.
De Duílio a Stabile, todos foram coniventes.
Talvez Mansur possa esclarecer as ações — e, principalmente, as omissões — de cada um.

