Pré-candidato a vice do São Paulo comprova a tese da evolução da espécie

Carlos Sadi, conselheiro vitalício do São Paulo e cotado para ocupar a vice-presidência na chapa oposicionista de Marcelo Portugal Gouvêa, conseguiu reunir, em uma única entrevista, preconceito e arrogância política.

Ao lamentar que o São Paulo teria perdido o “glamour”, o cartola afirmou que, se não tivesse esse atributo, torceria para o Corinthians e moraria em Itaquera.

Depois, comparou a presença de novos grupos no clube à situação de alguém que se casa com uma mulher de Paraisópolis e leva “a família inteira” dela para morar em sua casa.

Não satisfeito, referiu-se de maneira depreciativa aos “caiçaras” que trabalham para ele no Guarujá e atacou conselheiros que, segundo sua avaliação, escreveriam “exceção com X” ou aceitariam ser controlados em troca de “dois pães com mortadela”.

Há, porém, em meio ao lamentável episódio, uma informação capaz de restaurar a confiança na humanidade: Carlos Sadi é pai da ótima jornalista Andréia Sadi, uma das profissionais mais competentes da televisão brasileira.

A filha, evidentemente, não pode ser responsabilizada pelas bobagens do pai.

Ao contrário: a distância entre o trabalho dela e o pensamento exposto por ele oferece uma demonstração quase didática da evolução da espécie.

Diante da repercussão, Sadi, o pai, reconheceu o “equívoco”, disse ter sido mal interpretado e observou que “o mundo mudou”.

Não convenceu.

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