Corinthians: comparação de Janikian com Paulo Nobre não ultrapassa a folha corrida

Dentro do Parque São Jorge e, desde esta semana, contando com a colaboração da mídia — como habitualmente ocorre em períodos eleitorais no Corinthians —, iniciou-se um trabalho para inventar uma biografia fake para um dos presidenciáveis alvinegros.
Trata-se de Sérgio Janikian.
A comparação que surgiu com o ex-presidente do Palmeiras Paulo Nobre não ultrapassa a “folha corrida”.
Assessores do candidato, instruídos pelo trabalho de Fernando Melo, conhecido no clube pela atuação na comunicação de Kia Joorabchian, tentam vender a lorota de que o Corinthians, por intermédio do dinheiro de Janikian, será alçado ao mesmo patamar financeiro de Flamengo e Palmeiras.
Estória que não se sustenta quando observado um critério básico: a origem dos recursos.
Paulo Nobre herdou um patrimônio familiar relevante e, posteriormente, multiplicou sua fortuna investindo na Bolsa, sobretudo em ações e opções.
Tudo às claras e documentado.
E Janikian?
No caso do cartola alvinegro, a origem do dinheiro se confunde com a “folha corrida” — que Nobre, o comparado, não possui.
Sérgio Janikian acumula um histórico marcado por problemas com o poder público e pela atuação de empresas a ele ligadas em contratos milionários.
A Master foi declarada inidônea e impedida de contratar em diferentes episódios, inclusive após auditorias que apontaram possível sobrepreço de R$ 11,1 milhões em kits escolares de São Paulo e prejuízo potencial ainda maior em outros contratos.
A empresa também foi alvo de processo com base na Lei Anticorrupção, enquanto outra companhia ligada ao empresário, a Mercosul Comercial e Industrial, foi condenada pelo Cade por cartel em licitações de uniformes e materiais escolares.
Janikian ainda foi denunciado em Santa Catarina por crimes tributários e formação de quadrilha.
Os delitos fiscais foram extintos após o pagamento dos débitos, enquanto a acusação remanescente acabou prescrita.
Ele também foi sócio de Hanna Garib, personagem central da Máfia dos Fiscais, aparece ligado a licitações sob suspeitas de favorecimento e direcionamento, mantém estrutura societária com participação de empresa sediada nas Bahamas e possui negócios imobiliários relevantes com a Prefeitura de São Paulo, alguns deles investigados pelo Ministério Público.
Em Recife, a Master também foi alvo de reclamações por atrasos e entregas parciais em contrato de aproximadamente R$ 27 milhões.
Convenhamos: não há como comparar as biografias.
Nem os objetivos.
Nobre saiu do Palmeiras sem levar um centavo porque nem mesmo este Blog do Paulinho, implacável com desonestos, conseguiu encontrar rastro de malfeitos que o atingisse.
Janikian, por sua vez, foi diretor de futebol na gestão Roberto de Andrade, uma das mais complicadas da história recente do Corinthians, e obedecia ao superintendente Andrés Sanchez, o que, por si só, ajuda a demonstrar o ambiente político e administrativo em que construiu sua trajetória no clube.
O torcedor e, principalmente, os eleitores do Corinthians precisam ficar atentos às narrativas fabricadas durante períodos eleitorais no Parque São Jorge, além de desconfiar dos jornalistas que as criam ou simplesmente as repercutem.
Tanto dos profissionais mal informados quanto daqueles que eventualmente se remuneram para desinformar.
Inserir Janikian na mesma prateleira de Paulo Nobre chega a ser um escândalo de desonestidade, tamanha é a diferença entre o comportamento pessoal, empresarial e a trajetória clubística de ambos.

