Extrato da má gestão da presidente do Palmeiras

Quando assumiu a presidência, em 15 de dezembro de 2021, Leila Pereira encontrou o Palmeiras bicampeão da Libertadores, com elenco vencedor, estádio moderno e finanças sob controle.

A reconstrução havia começado com Paulo Nobre.

Entre 2013 e 2016, o clube profissionalizou departamentos, renegociou dívidas, reorganizou o fluxo de caixa, deixou de antecipar cotas de televisão e reformulou completamente as categorias de base.

Maurício Galiotte deu continuidade ao processo.

Entre 2017 e 2021, sua administração pagou R$ 298,3 milhões em obrigações deixadas por gestões anteriores.

Foram R$ 140,7 milhões referentes ao empréstimo de Paulo Nobre, R$ 96,2 milhões em acordos judiciais relacionados ao futebol, R$ 36,4 milhões em parcelamentos tributários e R$ 25 milhões em direitos econômicos e comissões.

Galiotte também investiu cerca de R$ 30 milhões por ano na formação de atletas, contratou Abel Ferreira e entregou um time que acabara de conquistar sua segunda Libertadores consecutiva.

Endrick já estava registrado na base, com 100% dos direitos pertencentes ao Palmeiras, assim como outros jogadores que posteriormente renderiam esportivamente ou seriam transformados em receitas milionárias.

As contas de 2021 refletem quase integralmente a administração anterior: dos 365 dias daquele ano, Leila comandou o clube durante apenas 16.

Naquele exercício, o Palmeiras registrou receita bruta operacional de R$ 972,6 milhões, superávit de R$ 123,4 milhões e dívida exigível de R$ 525,6 milhões.

O balanço informava ainda que não havia dívida em atraso e que todas as obrigações de curto prazo estavam previstas no fluxo de caixa de 2022.

Foi essa a herança recebida por Leila Pereira.

Sua gestão manteve o Palmeiras competitivo e conquistou os Brasileiros de 2022 e 2023, além da Recopa de 2022, da Supercopa de 2023 e dos Paulistas de 2022, 2023, 2024 e 2026.

À medida que a bonança foi sendo consumida e o elenco passou a ter cada vez mais a marca da atual administração, o custo aumentou muito mais rapidamente do que o retorno esportivo.

A dívida total passou de R$ 525,6 milhões, em 2021, para R$ 596,9 milhões em 2022.

Caiu para R$ 571 milhões em 2023, mas saltou para R$ 852,1 milhões em 2024 e atingiu R$ 1,13 bilhão ao final de 2025.

Em quatro anos, portanto, mais do que dobrou.

Em junho de 2026, o passivo total do Palmeiras chegou a R$ 1,64 bilhão.

A dívida saiu de R$ 525,6 milhões para aproximadamente R$ 1,13 bilhão.

O próprio relatório financeiro de 2025 admite que o crescimento ocorreu em razão das aquisições de jogadores.

Somente naquele ano, o Palmeiras registrou R$ 846,9 milhões em contratações.

Ao final do exercício, havia R$ 764,3 milhões em “títulos a pagar”, constituídos principalmente por compromissos assumidos com clubes e representantes na negociação de atletas.

São parcelas que continuarão pressionando os caixas das próximas temporadas.

O clube terminou 2025 com faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão e superávit de R$ 292,4 milhões.

Mas foram fortemente impulsionados pelos R$ 602,2 milhões contabilizados com negociações de jogadores e pelas receitas extraordinárias da Copa do Mundo de Clubes.

Entre os atletas negociados estavam Estêvão e Vitor Reis, frutos da política de formação estruturada antes da chegada de Leila à presidência, além de Richard Ríos, uma contratação acertada da atual administração.

Enquanto as vendas de jogadores formados ou valorizados produziram receitas imediatas, grande parte das contratações foi registrada contabilmente como ativo intangível.

O custo aparece ao longo dos contratos, por meio das amortizações.

É assim que um clube consegue apresentar superávit contábil e, simultaneamente, ampliar substancialmente suas obrigações.

A conta começou a aparecer com maior clareza em 2026.

No primeiro semestre, o Palmeiras obteve R$ 432,4 milhões em receitas operacionais, diante dos R$ 619,1 milhões previstos.

As despesas operacionais chegaram a R$ 608,1 milhões.

O déficit acumulado oficialmente divulgado foi de R$ 124 milhões — mais de seis vezes os R$ 19,4 milhões projetados para o período.

Somente o futebol profissional consumiu R$ 559,8 milhões no semestre, diante de receitas de R$ 358,2 milhões.

O departamento produziu, portanto, resultado operacional negativo de R$ 201,6 milhões.

Foram R$ 195,9 milhões com pessoal e encargos sociais, R$ 71,2 milhões com direitos de imagem e R$ 153,8 milhões em amortizações das contratações.

O balanço registrava ainda R$ 814 milhões em obrigações de curto prazo, diante de apenas R$ 220 milhões em ativos circulantes.

Mesmo retirando os adiantamentos contratuais, que não exigirão desembolso, as obrigações exigíveis de curto prazo superavam os recursos circulantes em mais de R$ 420 milhões.

O orçamento de 2026 depende de aproximadamente R$ 400 milhões em vendas de jogadores.

No primeiro semestre, porém, o futebol havia gerado menos de R$ 50 milhões nessa rubrica.

Ao recusar propostas elevadas por alguns atletas, a diretoria assumiu deliberadamente o risco de compensar a diferença com títulos, premiações ou negociações futuras.

Se os resultados esportivos aparecerem e os jogadores mantiverem valor de mercado, o clube poderá atravessar o período sem maiores consequências.

Em não ocorrendo, a conta ficará para as próximas administrações.

Contratações como Atuesta, Bruno Tabata, Giay, Micael, Facundo Torres, Emiliano Martínez, Lucas Evangelista e Khellven tiveram, em diferentes graus, retorno esportivo inferior à expectativa criada pelos investimentos.

Alguns foram posteriormente negociados, permitindo a recuperação de parte do dinheiro, mas o conjunto revela uma margem de erro incompatível com os valores movimentados.

Os balanços indicam que a atual gestão está trocando gestões responsáveis por um projeto cada vez mais caro, dependente de vendas e de receitas excepcionais.

No momento, o Palmeiras ainda consegue pagar a conta.

A pergunta é por quanto tempo — e quem arcará com o restante depois que Leila Pereira deixar a presidência.

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