Leila Pereira pode ser credora do rombo que sua gestão produziu no Palmeiras

O Palmeiras negocia, neste momento, um empréstimo de R$ 125 milhões com a Crefisa, controversa empresa que pertence à presidente do clube.

A simples possibilidade dessa operação deveria causar indignação entre associados e conselheiros do Palmeiras.

O dinheiro seria devolvido em prestações até dezembro de 2027, quando termina o mandato de Leila Pereira.

Trata-se de escandaloso conflito de interesses.

Na prática, Leila estaria dos dois lados da mesa: à frente do clube que precisa do dinheiro e como proprietária da instituição financeira que lucraria com a operação.

É importante lembrar que a Crefisa não patrocina mais o Palmeiras.

Há poucos dias, o Blog do Paulinho publicou o texto “Extrato da má gestão da presidente do Palmeiras”, demonstrando que Leila recebeu um clube bicampeão da Libertadores, com elenco vencedor, estrutura profissionalizada e finanças organizadas.

Em 2021, último exercício praticamente todo conduzido por Maurício Galiotte, a dívida era de R$ 525,6 milhões.

Ao final de 2025, já havia atingido R$ 1,13 bilhão.

Em junho de 2026, o passivo total chegou a R$ 1,64 bilhão, dos quais R$ 814 milhões correspondiam a obrigações de curto prazo, diante de apenas R$ 220 milhões em ativos circulantes.

No primeiro semestre deste ano, o Palmeiras arrecadou R$ 432,4 milhões, muito abaixo dos R$ 619,1 milhões previstos, enquanto as despesas operacionais alcançaram R$ 608,1 milhões.

O déficit acumulado foi de R$ 124 milhões — praticamente o mesmo valor que agora se pretende buscar na Crefisa.

Se os R$ 125 milhões forem parcelados até dezembro de 2027, o Palmeiras terá que devolver, em média, quase R$ 8 milhões mensais somente de principal, sem contar eventuais juros, correção monetária, tarifas e garantias.

E a Crefisa não tem exatamente a fama de cobrar barato.

Em junho, a Secretaria Nacional do Consumidor abriu investigação para apurar supostos juros abusivos cobrados por três instituições financeiras, entre elas a Crefisa.

Segundo levantamento baseado em dados do Banco Central, a empresa aparecia com taxa de 20,86% ao mês — equivalente a 871,43% ao ano — em determinada modalidade de crédito pessoal não consignado.

Há ainda outras questões que precisam ser respondidas.

O Palmeiras consultou outras instituições financeiras?

As condições oferecidas pela Crefisa são melhores do que as disponíveis no mercado?

Se o acordo for firmado, uma empresa pertencente à presidente lucrará com o desequilíbrio financeiro produzido durante a gestão de sua própria proprietária.

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