Árbitros brasileiros tem a ‘faca e o queijo’ nas mãos

A aprovação das novas regras que serão adotadas no Campeonato Brasileiro é uma boa notícia, principalmente porque algumas delas atacam vícios que transformaram os jogos no país em espetáculos de indisciplina, reclamações e perda deliberada de tempo.
A mais importante determina que somente o capitão de cada equipe poderá falar com o árbitro.
Se aplicada de verdade, será uma pequena revolução.
Hoje, qualquer marcação mais controversa — e, às vezes, nem precisa ser — provoca cenas constrangedoras: cinco, seis ou até mais jogadores cercam o árbitro, gesticulando, gritando e tentando forçá-lo a modificar decisões ou, no mínimo, influenciar as próximas.
Uma zona.
Os árbitros, até a proveito próprio, precisam ter coragem de aplicá-la.
Estão com a ‘faca e o queijo’ nas mãos.
Outra novidade relevante é a adoção do chamado “Protocolo Vini Jr.”, que prevê cartão vermelho para o jogador que cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com adversário.
A medida possui enorme valor simbólico na luta contra o racismo.
As demais mudanças também são bem-vindas e, em boa parte, atacam outra praga do futebol brasileiro: a cera.
Oito segundos para o goleiro permanecer com a bola nas mãos; cinco para arremessos laterais e tiros de meta; dez segundos para o jogador substituído deixar o campo; além da permanência por um minuto fora do gramado para quem precisar de atendimento.
Medidas semelhantes demonstraram eficácia na Copa do Mundo e a tendência é que também funcionem por aqui — desde que, novamente, sejam efetivamente aplicadas.

