A extrema direita, o bolsonarismo e o populismo penal

Por ROQUE CITADINI

Todos os grupos de direita populista e extrema direita têm propostas semelhantes na área de segurança.

Alguns radicalizam mais, outros procuram reinventar soluções velhas com roupas novas, mas, no final, o resultado é o mesmo.

Todos defendem o aumento de penas para os criminosos.

Veem nesse maior período de cárcere a solução que desestimularia a pessoa a praticar o crime.

Essa é a bandeira comum: mais tempo na cadeia para todo mundo reduzirá a criminalidade.

Isso já foi tentado e nem sempre deu bons resultados.

Lembremos o caso da Califórnia, que criou a regra de prender todo mundo, dos maiores aos menores delitos.

Após algumas décadas de cárceres abarrotados, tiveram que mudar a política porque o número de encarcerados ultrapassou 4% da população e o custo disso tudo destruía o orçamento estadual.

Além disso, autores de pequenos delitos, levados ao cárcere, acabavam caminhando para outros crimes.

Além de penas maiores, a Direita defende maior rigor no cumprimento das penas, sem qualquer regalia (saídas temporárias, visitas íntimas) e nenhuma evolução que procure diminuir as penas por leitura, trabalho ou estudo.

Agora, com o fenômeno Bukele, volta o que sempre foi defendido como sucesso na área: o encarceramento em massa, sem nenhum respeito aos acusados e suspeitos.

A construção de supercárceres virou a coqueluche da Direita populista atual.

Um dos candidatos à presidência do Brasil fala em construir presídios no meio da floresta amazônica para prender todo mundo, de criminosos perigosos a ladrões de celular, bicicleta ou mochila escolar.

Mais ainda, os presos teriam que se sustentar com seu próprio trabalho.

Curioso que a nova Direita populista não gosta de inovações tecnológicas, como as câmeras corporais que tanto ajudam a desvendar crimes e separar os inocentes.

Mesmo o sistema de monitoramento em áreas de grande movimento não é bem visto.

Assim, a lógica continua sendo punir o criminoso e não diminuir os crimes.

Mas o mais curioso dessa direita populista é defender rigor na punição de criminosos, menos quando o criminoso é de sua ala política.

Veja-se o caso do ex-presidente Bolsonaro: querem que ele cumpra seu retiro sem qualquer restrição e até com uma barraca de praia.

A ideia de que os condenados devem ter tratamento semelhante é quase rejeitada.

No caso de Bolsonaro, querem toda a proteção por causa das crises de soluços que o ex-presidente tem de forma recorrente.

Se os critérios que eles querem fossem aplicados a todos os presídios do país, estes seriam esvaziados, pois muitos presos têm problemas muito piores do que crises de soluços.

Em matéria de segurança, a Direita populista e arcaica está sem solução e precisa começar a aceitar a vigilância digital como um passo para mudar o quadro.


*Publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

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