As expulsões de Mané da Carne e Marcelinho Mariano do Corinthians

Ontem, o Conselho Deliberativo do Corinthians expulsou a histórica figura de Manoel Ramos Evangelista, o Mané da Carne, do quadro de associados alvinegro e, consequentemente, do próprio órgão, no qual o cartola ocupava um cargo vitalício.

O que isso significa?

Primeiro, pela votação em si, sem qualquer manifestação em favor da absolvição, evidencia-se o abandono de Mané pelo grupo Renovação e Transparência, ao qual serviu, à sua maneira, com lealdade.

A cúpula da R&T, em seus primórdios, antes mesmo de imaginar que poderia assumir o poder, atuou como subordinada do cartola nas categorias de base do Corinthians.

Andrés Sanchez e André Negão, inclusive.

Apesar das inúmeras razões que, ao longo dos anos, poderiam ter ensejado punições, Mané acabou derrubado pela própria língua: foi apanhado em manifestações racistas e misóginas, explicitadas durante uma reunião do Conselho.

Marcelinho Mariano, apesar do recente protagonismo como “operário” de Augusto Melo no caso Vai de Bet, sempre foi uma figura secundária, subordinado durante toda a vida política ao presidente Osmar Stabile, que, assim como a R&T fez com o ex-aliado, também não teve coragem de defendê-lo publicamente.

Ao clube, não fará falta.

Fora dele, porém, seguirá prestigiado pelo presidente e com seus negócios extracampo conduzidos pelo serviçal Okabe na Arena de Itaquera — pelo menos enquanto o grupo que infelicita o Corinthians permanecer no poder.


EM TEMPO:

Na mesma reunião, o conselheiro Mario Mello Junior, implicado na tentativa de golpe para reconduzir Augusto Melo ao poder, foi agraciado com uma alternativa até então inexistente.

Enquanto seus parceiros foram expulsos, a ele foi aplicada apenas uma suspensão de seis meses, evidenciando um acerto político que começou a se desenhar com o adiamento de seu julgamento na reunião anterior.

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