O povo abandonou a Seleção Brasileira

Boa parte das pessoas na minha faixa etária há de recordar o quão grande era a expectativa — e os preparativos — para que a população não apenas acompanhasse, mas vibrasse com a Copa do Mundo de futebol.

Eram tempos em que a mídia raramente expunha a realidade dos bastidores.

O esporte era o principal interesse de torcedores até certo ponto inocentes.

Aos poucos, o cenário foi se modificando.

O povo passou a se informar melhor.

Surgiram novas opções de entretenimento que, somadas ao quase desaparecimento de espaços públicos para a prática do futebol de campo — a famosa várzea — e aos valores proibitivos dos ingressos, afastaram os mais jovens.

Ainda assim, mesmo entre eles, o período de Copa do Mundo mantinha seu apelo.

Daí passamos à realidade dos campeonatos nacionais.

Se antes as jovens promessas atuavam nos times principais das grandes equipes, hoje são negociadas ainda na base, transformando, por exemplo, o Brasileirão em uma espécie de vitrine do que restou.

Há, ainda, a corrupção escancarada.

Todos esses fatores — e outros não citados — influenciaram os resultados de pesquisas preocupantes.

Hoje, 23% da população afirma não torcer para clube algum, ou seja, provavelmente não gosta de futebol.

É mais do que os 19% de flamenguistas, que ocupam o topo do ranking de torcidas.

Agora, às vésperas da Copa, 54% dizem não ter interesse em assistir ao torneio.

Ou seja, a Seleção Brasileira, que antes unia o país — inclusive torcedores rivais —, foi abandonada.

Quem ainda gosta do esporte volta-se apenas ao seu clube.

Um triste retrato de décadas de descaso com os torcedores que, antes apaixonados, se desiludiram — e acabaram transmitindo esse sentimento às gerações seguintes.

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