Tentativa de Golpe no Corinthians será julgada pela Justiça comum (confira todos os depoimentos)

Decisão do juiz Fabrício Reali Zia, do JECRIM – Anexo de Defesa do Torcedor, sobre a ação criminal que apura as responsabilidades pela tentativa de golpe ocorrida na sede social do Corinthians, quando, em 31 de maio, Augusto Melo e seus asseclas tentaram tomar à força o poder que estava sob tutela de Osmar Stabile, determinou o envio do caso à Justiça Comum para análise quanto à pronúncia dos réus.
De antemão, o crime de tumulto foi descartado, por não se enquadrar no artigo 201 da Lei Geral do Esporte.
Segundo o parecer do Ministério Público de São Paulo, acolhido pelo magistrado:
“(…) embora tenha havido tumulto, este não ocorreu em evento esportivo.”
“Ademais, o bem jurídico é a paz no esporte, que não fora violada.”
As demais condutas criminosas, contudo, foram mantidas e seguirão sob análise: ameaça (art. 147 do CP), injúria (art. 140 do CP), constrangimento ilegal (art. 146 do CP), sequestro e cárcere privado (art. 148 do CP) e denunciação caluniosa (art. 339 do CP).
O juiz Fabrício despachou nos seguintes termos:
“Em relação ao delito previsto no art. 201 da Lei 14.597/2023, nos termos da manifestação do representante do Ministério Público, que acolho como razões de decidir, determino o arquivamento, com a ressalva constante do artigo 18 do CPP.”
“No que toca aos demais delitos, praticados em concurso, tendo em vista que não foram praticados em evento futebolístico ou em decorrência dele (art. 36 do Provimento CSM nº 2203/2014, alterado pelo art. 1º do Provimento CSM nº 2755/2024), remetam-se os autos ao Juízo Comum, observando-se eventual prevenção.”
Íntegra do relatório policial que embasou as decisões de MP-SP e do JECRIM:
Secretaria da Segurança Pública – POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO – Departamento de Operações Policiais Estratégicas – DOPE Divisão Especializada de Atendimento ao Turista – DEATUR 6ª Delegacia de Polícia de Repressão Aos Delitos de Intolerância Esportiva – DRADE
RELATÓRIO FINAL
Inquérito Policial Eletrônico 2192119-37.2025.200221
Natureza: artigos 140, 147,148 e 339 do Código Penal e artigo 201 da Lei 14.597/2023
Meritíssimo Senhor Juiz de Direito, A POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO, representada neste ato pelo Delegado de Polícia signatário, que no uso de suas atribuições conferidas no artigo 144, § 4º, da Constituição da República, artigo 140, §3º, da Constituição do Estado de São Paulo, com a redação determinada pela Emenda nº35/2012, artigos 4º e seguintes do Código de Processo Penal, artigo 12, da Portaria DGPnº 18/1998, e demais dispositivos correlatos, com arrimo no artigo 10, § 1º, do destacado estatuto de rito criminal, respeitosamente reporta-se a Vossa Excelência ofertando o presente RELATÓRIO FINAL DE INQUÉRITO POLICIAL expondo em apertada síntese os substratos fáticos e jurídicos e as providências de Polícia Judiciária adotadas no caso em epígrafe.
O presente Inquérito Policial foi instaurado mediante portaria da Autoridade Policial, para apurar os fatos narrados no boletim de HY1739-1/2025 registrado nesta Unidade de Polícia Judiciária Especializada.

Segundo consta do boletim de ocorrência registrado em 31 de maio do corrente ano, AUGUSTO PEREIRA DE MELO, Ex Presidente do Sport Club Corinthians Paulista, narrou que exercia a função de Presidente do Sport Club Corinthians desde 02 de janeiro de 2024.
No dia 26 de maio do corrente ano foi afastado de suas atividades em vista votação realizada pelos Conselheiros do aludido clube.
Em que pese tal afastamento, no dia 31 de maio, Augusto Melo foi convocado pela atual Presidente do Conselho Deliberativo para buscar documento de reassunção do cargo de Presidente.
Assim, relatou no boletim de ocorrência, que se deslocou até o clube e por volta das 19h se dirigiu até o 5º andar, a fim de tomar posse novamente de seu cargo de Presidente.
Esclareceu que a Presidente do Conselho, Maria Angela de Sousa Campos entregou tal documento ao atual Presidente do clube, Osmar Stabile, o qual questionou a Presidente e acrescentou que todos deveriam aguardar a análise da veracidade do documento por advogados.
Augusto informou que logo em seguida Osmar passou a realizar uma série de ligações.
Acrescentou que vários indivíduos chegaram ao local, sendo um deles Douglas Deungaro, popularmente conhecido como “metaleiro”, o qual chegou exaltado, gritando e dizendo a todos, olhando em direção de Augusto Melo e inclusive apontando o dedo em sua cara: “pode deixar, eu vou te matar, eu vou cortar sua cabeça e pendurar, você e sua família”.
Esclareceu que Douglas permaneceu no local e continuou esbravejando, entretanto sem mais ameaças ou ofensas a Augusto.
Naquela oportunidade, informou que diversos repórteres estavam no local e passaram a veicular a notícia de que Augusto teria invadido a sala do atual Presidente, além de tê-lo ameaçado e cometido cárcere privado, conforme relatos proferidos em entrevista de Romeu Tuma Junior, Presidente afastado do Conselho Deliberativo.
Augusto informou que tais notícias são inverídicas.
Reiterou que foi convocado a comparecer a sala do Presidente e jamais o ameaçou. Acrescentou que toda ação foi realizada de forma pacífica e que não houve qualquer tipo de invasão, constrangimento ou cárcere privado, consoante veiculado pela mídia.

LEONARDO FOGAÇA PANTALEÃO, representante do Sport Club Corinthians Paulista, relatou que auxilia no Departamento Jurídico do aludido clube.
Informou que naquele dia, 31 de maio, por volta das 14:00 horas, surgiram boatos de que Augusto Melo, Presidente afastado do Sport Club Corinthians Paulista desde 26 de maio do corrente ano, teria obtido uma liminar para retomar o cargo.
Informou que logo em seguida, passou a receber vídeos de grande grupo de sócios e torcedores dentro do clube, caminhando em direção à sala da Presidência.
Assim, informou que se deslocou até o local, para averiguar os fatos, atendendo a um chamado do Presidente Osmar Stabile.
Acrescenta que ao analisar o documento apresentado por Augusto Melo, notou que aquele não possuía validade Jurídica para aquela finalidade, já que para o Augusto Melo novamente se empossar, seria necessário decisão Judicial liminar ou votação entre os associados do clube.
Na verdade, o documento que o grupo exibia e afirmava ser uma decisão liminar, tratava de um documento unilateral e assinado pela 1ª Secretária do Conselho Deliberativo, Sra. Maria Angela Ocampos, que não gerava nenhum efeito no clube.
Informou que havia cerca de 15 pessoas intimidando o Presidente atual Osmar Stabile, para que este assinasse documento e passasse a Presidência do clube a Augusto Mello, hoje Presidente afastado.
Acreditou que pela forma de agir adotada pelo grupo de 15 pessoas, que posteriormente aumentou para cerca de 40 pessoas, aproximadamente, Osmar Stabile foi vítima de constrangimento ilegal, com o objetivo acima narrado, para viabilizar que Augusto Mello retornasse à Presidência do clube.
De acordo com o que lhe foi relatado, informa que tais indivíduos passaram a impedir a saída da sala da Presidência, inclusive, deforma que o Presidente Osmar Stabile estava emboscado e privado do direito de ausentar-se do local, chegando ao ponto de ficar sentado por 2 (duas) horas na cadeira sem sequer poder usar o banheiro, pois Augusto Mello e seus apoiadores tomariam assento na mesa da presidência.
Acrescentou, ainda, que Augusto Melo não foi convidado pelo Presidente Osmar Stabile para ingressar no local, tampouco as pessoas que o acompanhavam.
Houve preocupação da Presidência do clube no sentido que documentos podem ter sido subtraídos pelas pessoas que estavam no local sem autorização.
Esclareceu, por fim, que presenciou o Presidente do conselho, Romeu Tuma Junior, sendo vítima de injúria, constrangimento ilegal e ameaça, já que indivíduos, os quais não possui condições de fornecer a qualificação, disseram ao Presidente do conselho, “você vai pagar por isso”, “iremos te buscar até no inferno”, além de terem dito “eu conheço seu passado, você vai ver”.

JOAQUIM EGIDIO DE ARRUDA, narrou que é Conselheiro trienal do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista e relatou que em 31 de maio de 2025, estava no clube e por volta das 17h observou movimentação de cerca de 40 pessoas se aproximando do prédio administrativo, onde está situada a sala da Presidência.
Informou que entendeu por bem deslocar-se em direção a sala da Presidência a fim de averiguar o que estava ocorrendo, e assim que adentrou no referido prédio, foi impedido de entrar no elevador por um segurança do clube, sob a justificativa de que o acesso estava restrito naquela ocasião.
Após alguns instantes, Joaquim foi autorizado a subir e relatou que ao chegar à ante-sala da Presidência estava o grupo encontrado que caminhava pelo clube.
Informou que ao tentar adentrar na salada Presidência foi impedido por apoiadores do Presidente afastado Augusto Melo, os quais diziam que conselheiros não poderiam adentrar na sala.
Assim, Joaquim narrou que saiu do local, pois necessitava buscar seu aparelho celular. Ao retornar, havia também grupo de torcedores tentando adentrar, oportunidade em que os elevadores estavam desligados.
Acrescentou que torcedores tiveram que danificar uma porta para obter acesso ao térreo do prédio da administração. Reiterou que não sabia o que estava ocorrendo e tentou ter acesso a fim de averiguar, pois tal movimentação lhe parecia bastante atípica.

RUBENS DE OLIVEIRA JUNIOR, informou que presta serviço de arquitetura para o senhor Osmar Stabile, atual Presidente do Sport Clube Corinthians Paulista, após destituição do senhor Augusto Melo da Presidência do clube.
Em 31/05/2025 recebeu convite do senhor Osmar Stabile para conversar sobre a obra da clínica de sua filha que está em andamento e também para almoçar na sede administrativa do Corinthians no Parque São Jorge, o declarante informou que chegou por volta de 14:00, permaneceu na companhia do senhor Osmar no interior do clube e presenciou Augusto Melo e outras pessoas na área do churrasco do clube.
As 16:30 horas o presidente dos Gaviões da Fiel acompanhado de outros membros teriam uma reunião com o senhor Osmar, após a reunião o declarante retornou na sala da Presidência pra retornar as conversas com Osmar Stabile, momento em que Fernando, coordenador da segurança pessoal do senhor Osmar recebeu informação que Augusto Melo estaria comemorando no térreo nas dependências do clube e que teria recebido uma liminar que daria o direito de retomar à Presidência do Corinthians. Por volta das18:00 horas presenciou aproximadamente vinte pessoas que entraram na sala da Presidência juntamente com Augusto Melo e a senhora Maria Angela Ocampos, esta com o referido documento que daria o direito do Augusto Melo retornar ao cargo de Presidente do clube.
Augusto melo dizia “Osmar levanta que através de limitar estou retornando a Presidência e acabou o golpe que querem dar em mim”.
Em seguida, pessoas que estavam com Augusto Melo teriam fechado a porta para que outras pessoas não adentrassem o local até que fosse solucionado o entrevero entre as partes e, sendo também proibido de filmar o ocorrido também pelos seguranças do clube e do Augusto Melo.
O declarante ouviu pessoas baterem forte na porta, momento que entrou pessoa vulgo “Metaleiro”, ex-presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel, dizendo que Augusto deveria permanecer em seu lugar até a conclusão da assembleia dos sócios para decidir sobre a destituição do cargo de Presidente.
O declarante informou, ainda, que foi proibido de sair do local por seguranças de Augusto Melo e outros seguranças do clube, lá permanecendo no local por aproximadamente 4 horas, conseguindo deixar o local somente por volta de 23:00 horas.
Não presenciou violência, apenas pessoas exaltadas pressionando para que o senhor Osmar saísse da cadeira da presidência e que este estaria bastante assustado com o ocorrido.

MARIA ANGELA DE SOUSA CAMPOS, declarou ser conselheira e primeira secretaria do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista, cargo eletivo, que exerce desde o inicio de 2024 com mandato de 3 anos.
Em 30 de maio de 2025 o senhor Roberson Medeiros, então vice presidente do Conselho Deliberativo do clube e presidente da Comissão de Ética envia um e-mail aos conselheiros informando que a secretaria Angela, deveria substituir Roberson em razão de afastamento para tratamento de saúde.
De acordo com o estatuto Corinthiano, na ausência temporária do Vice-Presidente, a primeira secretária assume interinamente as funções de vice presidente do conselho deliberativo e do conselho de ética.
No dia 31 de maio, sábado, Maria Angela recebe vários telefonemas de conselheiros e representantes da comissão de ética pedindo que Angela fosse naquele dia presencialmente ao clube para que assumisse as funções no conselho deliberativo, uma vez que o presidente Romeu Tuma Junior estava afastado em razão de uma deliberação da comissão de ética datada de 30 de maio de 2025, onde consta o afastamento cautelar do Sr. Romeu Tuma com efeito imediato, devendo ser consideradas como nulas quaisquer decisões ou atos praticados pela autoridade cautelarmente afastado, cabendo a Maria Angela assumir a presidência do conselho a qual tomou posse neste mesmo dia (31 de maio) nomeada pela Comissão de Ética, não tendo expressamente no regimento interno do clube, nem no estatuto previsão legal para que tal decisão ocorra somente em dias úteis.
Quando Maria Angela chega ao clube no sábado, ela se dirige ao 3º andar, sala do conselho deliberativo, procurando pelo Sr. Romeu Tuma de posse de documentos os quais exibe neste ato, que expressamente tornam quaisquer atos praticados pelo Sr. Romeu Tuma na qualidade de presidente de conselho deliberativo, nulo e sem qualquer validade.
Em seguida, Maria Angela recebe uma ligação de Romeu Tuma e o informa que está de posse de um documento o qual precisa entregar pessoalmente a ele, e Romeu Tuma pede que Maria Angela protocole referido documento que ele o analisaria na segunda-feira e pede também que Maria Angela saia imediatamente do clube, que seria melhor para ela, deforma a aconselhá-la para preservação de sua integridade física.
Maria Angela junto com os demais representantes do conselho de ética sobem juntos ao 5º andar, dirigem-se a sala da presidência e são autorizados e recebidos pelo Presidente interino Sr. Osmar Stabile.
O grupo de representantes da comissão de ética, de posse do documento neste ato apresentado, o exibem ao presidente Osmar e informam que todos os atos praticados por Romeu Tuma eram inválidos, inclusive a destituição do, então, presidente Sr. Augusto Melo, sendo convidado a deixar a sala da presidência para que Augusto novamente fosse reempossado no cargo.
O que não foi aceito por Osmar Stabile, que disse que aguardaria “o pessoal dele chegar”.
Por cerca de 10 minutos Osmar e o grupo de representantes da ética junto com Maria Angela permaneceram todos na sala da presidência de forma pacifica, quando gritos passam a ser ouvidos ao lado de fora da sala da presidência e barulho de portas sendo danificadas, quando, então, Maria Angela é aconselhada a sair da sala pelos fundos, pois a pessoa conhecida como “Metaleiro” estava ao lado de fora “quebrando tudo” para invadir a sala da presidência.
Maria Angela permaneceu por cerca de 15 minutos na escada dos fundos da sala da presidência aguardando os ânimos se acalmarem, quando retornou acompanhada de um segurança para que pudesse buscar a sua bolsa, que ficou na sala da presidência, que quando saiu para se dirigir ao andar térreo não haviam luzes, nem elevadores desligados, tendo Maria Angela, inclusive descido pelo elevador.
Informa que diante de todo tumulto ocorrido no processo político do clube, temendo por sua integridade física e pelo fato da conselheira não estar sendo comunicada de nenhum ato administrativo do clube, sentindo-se excluída e prejudicada como conselheira no seu cargo.
Maria Angela desde então só retornou ao clube por duas vezes a fim de cumprir com suas obrigações de conselheira, sendo elas, no dia da votação para destituição ou não do presidente Augusto Melo e recentemente para uma nova votação entre os conselheiros para escolha do novo presidente, reunião da qual Maria Angela faz parte da mesa do conselho deliberativo.
Por fim, Maria Angela informa que não presenciou nenhum tipo de ameaça e/ou cárcere privado, tendo em vista ela mesma ter sido convidada para entrar e sair da sala da presidência, descaracterizando qualquer conduta neste sentido.

ROMEU TUMA JUNIOR, declarou que foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do SCCP em 01 de fevereiro de 2024, órgão que dentre outras funções tem a obrigação de fiscalizar os atos de gestão; que aportaram no Conselho Deliberativo alguns pedidos de impeachment/destituição do então Presidente Augusto Mello, fatos amplamente divulgados e que culminou no âmbito interno com sua destituição do cargo de Presidente pelo Conselho Deliberativo o que depois confirmado pela Assembleia Geral dos associados de acordo com os mandamentos do estatuto Social do Clube, e no âmbito do Estado após instauração e tramitação de Inquérito Policial com o indiciamento do mesmo e denúncia pelo Ministério Publico pelos crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa, nos referidos autos do Inquérito Policial em curso na 4º Delegacia de Polícia de Lavagem de Capitais, hoje já transformado em processo crime face o recebimento da denúncia pela autoridade judicial.
Que durante a tramitação do processo de destituição do ex-presidente da Diretoria, ocorreram diversos fatos de intimidação, violência e ameaças que resultaram em inúmeros registros de ocorrências e Inquéritos Policiais e que muitos interesses criminosos estavam e estão envolvidos nas consequências das ações internas dos órgãos de fiscalização do Clube, especialmente no Conselho deliberativo presidido pelo declarante.
Que por conta disso, entre a data da destituição do ex-presidente no Conselho e a data da confirmação da destituição definitiva pelos associados na assembleia geral, precisamente no dia 31 de maio deste ano, após o insucesso de várias ações judiciais que foram ajuizadas pelo ex-presidente e por outros associados e conselheiros que lhe prestavam apoio, ocorreu uma tentativa de golpe da maior gravidade na tarde de um sábado na data referida
Que naquele sábado, o declarante se encontrava em um aniversário com sua filha mais nova de 13 anos quando começou a receber telefonemas de várias pessoas informando e perguntando se era verdade que o Augusto havia conseguido uma decisão liminar da justiça para retornar ao cargo de presidente do clube.
Que como haviam diversas ações na justiça, e em todas elas o declarante era a parte acionada, o mesmo teve que deixar a a festa de aniversário onde se encontrava com sua filha e se dirigir ao seu escritório para acessar as ações e conferir se o fato era verídico ou se tratava-se de fake News
Que aquela notícia foi se espalhando com pelo clube e inclusive o Presidente interino Osmar Stabile ligou para saber do declarante se sabia de algo
Que ao pesquisar nos processos em andamento, inclusive nas instâncias superiores, TJ, STJ e STF, não localizou nenhuma decisão que tratasse de qualquer concessão de liminar favorável ao senhor Augusto Melo
Que já desconfiado de que tratava de uma fake News, até pela característica de atuação do grupo de augusto Melo, o declarante passou a buscar informações dentro do clube com alguns associados sobre o que estava acontecendo no interior do Parque São Jorge e ficou sabendo que havia uma concentração de pessoas com Augusto Melo no departamento de Bocha que estavam alimentando essa narrativa falsa de que iria sair uma liminar por volta das 17 horas
Que já pressentindo o que poderia ocorrer, ligou para o presidente Osmar e questionou onde o mesmo se encontrava e com quem
Que o presidente Osmar se encontrava na sala da presidência do clube em reunião com a diretoria da torcida organizada Gaviões da Fiel; que alertou o presidente Osmar de que tudo parecia uma armação e que ele tomasse cuidado pois o declarante estava pressentindo que estavam tramando uma tomada do poder com uma invasão da presidência para destituir o presidente legitimamente empossado para criarem um factoide e colocarem o Augusto novamente de forma ilegítima no poder e não mais saírem da sala da Presidência, criando dessa forma uma situação esdrúxula e confusa para dar repercussão na mídia e criar serias dúvidas na justiça.
Que inclusive naquele telefonema pediu para falar com o presidente da organizada que estava na sala da presidência e avisou que possivelmente haveria uma invasão e solicitou ao Ale que não permitisse um golpe no clube.
Que passado algum tempo, recebeu um telefonema do presidente Osmar relatando os fatos da invasão, alegando que realmente ocorreu o que o declarante pressentiu e que a secretaria do Conselho Maria Angela estava lá e queria falar com o Declarante
Que ao falar com a senhora Maria Angela por telefone e perguntar a ela o que estava acontecendo e o que ela estava fazendo lá, a mesma informou que precisava notificar o declarante de seu afastamento e também a retomada do poder pelo presidente destituído por decisão dela e da Comissão de Ética do Conselho Deliberativo.
Que o declarante perguntou se havia alguma decisão liminar do Poder Judiciário ao que a secretária Maria Angela respondeu que não, mas que era um documento “feito por eles” e que precisava notificar o declarante
Que o declarante questionou se ela tinha noção do absurdo e do crime que estavam cometendo e dos danos à imagem e à história do Corinthians que estavam causando e ela ficou em silêncio, ato contínuo o declarante avisou que se ela e os outros quisessem notifica-lo de algo, que deveriam o procura-lo na segunda-feira que era o primeiro dia útil na sala do Conselho Deliberativo e fazê-lo e ainda recomendou que ela e os demais fossem embora pois estavam correndo o risco de serem presos em flagrante por diversos crimes que supostamente estariam sendo cometidos a depender da autoridade policial que lá chegasse visto que já havia sido acionada tanto a Policia Militar quanto a Polícia Civil, pois soube que o próprio Secretario de Segurança Publica foi contatado após a invasão.
Que ao retornar a falar com o Osmar o mesmo lhe questionou se o documento que haviam lhe apresentado tinha alguma validade e o declarante esclareceu que não havia nenhuma liminar do poder judiciário, que os invasores estavam querendo notificar o declarante e que o documento pela leitura resumida que lhe foi feita não tinha qualquer amparo legal e nem no estatuto do Clube, portanto era absolutamente imprestável e sem qualquer validade jurídica ou administrativa, portanto não era capaz de gerar qualquer efeito, exceto midiático
Que orientei ao presidente Osmar a não deixar sua sala e nem sua cadeira pois certamente o objetivo dos invasores era a ocupação da presidência para gerar um fato político sem precedentes o que geraria muita confusão na rotina administrativa do Clube e em especial com seus colaboradores, patrocinadores e parceiros, o que acabou acontecendo por exemplo com um Banco ao se necessitar de um empréstimo algum tempo depois e a diretoria da instituição não saber quem de fato era o representante legal do Clube, o que nos causou prejuízo
Que o aparato dos invasores tinha até assessora de imprensa para tirar uma foto do ex-presidente na cadeira de presidente e divulgar para a imprensa com o objetivo de consolidar a ideia de que o golpe era uma ação legitima amparada pela mesa do Conselho e pela Comissão de Ética com o afastamento do declarante, do presidente legitimamente empossado após a destituição cautelar do ex-presidente e, ou seja, um conjunto de arbitrariedades travestido de legalidade institucional.
Que após algum tempo me dirige ao clube e ao chegar na sala do presidente me deparei com a presença da Policia Militar, com diversos invasores, Conselheiros, associados, membros da torcida organizada, e outras pessoas.
Que ali estando recebi várias ofensas mas percebi que a secretária do Conselho e uma das pessoas usadas para o golpe já havia deixado o clube, e me foi dito por alguns associados que ela foi retirada para não ser presa em flagrante.
Que para mim ficou claro a invasão da presidência sem o consentimento do presidente, o cárcere privado pois não foi permitida a saída de um ou dois acompanhantes que estavam na sala com o Osmar durante a invasão, sequer ao banheiro ele conseguiu ir, o que foi possível somente após horas com a colaboração da oficial da Polícia Militar que protegeu a cadeira da presidência para que ninguém ali tomasse assento indevido e simbólico.
Que se constatou no mesmo dia que furtaram alguns documentos da sala do presidente Osmar, um inclusive simbólico que era o termo de posse dele na presidência, o qual foi assinado na reunião do Conselho que destituiu o ex-presidente Augusto Melo dias antes.
Que naquele dia, pude verificar, que horas antes ou minutos antes de invadirem a presidência, os membros da Comissão de Ética junto com a secretária do Conselho e outras pessoas tentaram entrar na sala da administração do Conselho Deliberativo e do CORI, onde ficam guardados documentos de grande relevância, mas apesar de forçarem a porta, tudo indica que não tenham logrado êxito, entretanto utilizaram-se sem qualquer autorização da sala de reunião do Conselho Deliberativo para gravarem um vídeo onde leram um documento que tentava explicar aquela esdrúxula decisão golpista que não encontrava e nem encontra nenhum amparo estatutário, visto que foram à Justiça e até hoje nada conseguiram, e aquele vídeo que mais se assemelhou com aqueles vídeos divulgados por organizações terroristas como o Hezbollah, fato inclusive muito comentado por diversas pessoas e que trouxe um enorme prejuízo a imagem institucional do Corinthians.
Que inclusive a respeito do sumiço de documentos com aquela invasão, recentemente tivemos uma questão sobre uso de cartões corporativos do Clube e que está sendo apurada pelo Conselho Deliberativo e pelo Ministério Público, onde o declarante solicitou diversos documentos fiscais e financeiros assim como o próprio MP e acabamos sabendo que também houve furto de inúmeros documentos da Diretoria de Finanças, fato que pode ter ocorrido naquela data, inclusive alguns documentos desses que foram furtados já foram divulgados por perfis de redes sociais que estavam sendo investigados em outro inquérito nesta unidade policial e muito provavelmente esses perfis receberam esses documentos como receptadores de quem praticou o furto naquela data ou de algum outro receptador.
Que por falar em Ministério Publico, uma das coisas que mais chocou a todos foi a participação de um Procurador ou Promotor de Justiça que é Conselheiro e era da Comissão de Ética ter sido um dos principais atores daquela invasão, o qual depois de toda repercussão dos fatos, tendo ciência da gravidade ocorridos no sábado foi uma das pessoas processadas internamente pelo conselho, pedindo renúncia de seu cargo na comissão de ética.
Que inclusive o advogado de defesa do Augusto Melo na época renunciou as causas onde o defendia por discordar daquilo tudo.
Que espera que as pessoas que arquitetaram e premeditaram aquela ação golpista sejam rigorosamente punidas pois foi algo que jamais ocorreu na história do Clube e vai ficar marcado para o resto da nossa existência com um dos episódios mais tristes da nossa história.
Relata que em relação ao depoimento da conselheira Maria Angela, esclarece que é contraditório e possui informações imprecisas e inverídicas de certa forma, especialmente quando diz que o declarante telefonou para ela, fato já esclarecido acima, que além disso, não havia nenhum afastamento legalmente válido do declarante, até porque a secretária Angela participou ao menos de duas ou três reuniões do conselho após a data do suposto afastamento do declarante, secretariando as reuniões do conselho sem que ninguém tampouco ela questionasse a legitimidade da presidência exercida pelo declarante.
Esclarece que o documento juntado sob o título “decisão interpretativa vinculante” datado de 30/05/25 nunca foi ciência do declarante e não tem nenhuma legalidade, até porque assinado por conselheiros que não tem legitimidade e poderes para fazer qualquer tipo de interpretação do estatuto, visto que decisões deste tipo só podem ser tomadas pelo plenário do conselho.
Com relação ao e-mail juntado pela secretária Angela, no próprio corpo do texto comprova que esta não poderia estar exercendo a vice presidência do conselho, primeiro porque quem teria que designa-la para tanto seria o declarante, segundo e principalmente, na própria mensagem comprova que o então vice-presidente Roberson de Medeiros havia suspendido a sua licença naquela data, quando diz que confirma a volta provisória e comunica a secretaria administrativa do conselho, que a partir da próxima semana estará fora para fazer seus exames, não estando assim, oficialmente afastado de suas funções do conselho.
Tendo em vista que o e-mail foi enviado no dia 30 de maio, sexta-feira, e a invasão ocorreu no sábado (31 de maio).
Portanto, os atos praticados pela conselheira Maria Angela não tem validade, pois além do vice presidente ter retornado as suas funções conforme expressamente mencionado no e-mail tais atos praticados por Maria Angela não possuem amparo estatuário, nem legitimidade, pois sequer os documentos passaram para apreciação do declarante, que é presidente do conselho deliberativo.
Ademais, importante ressaltar que a secretária Maria Angela, bem como demais conselheiros que tentaram validar aqueles atos abomináveis que praticaram via poder judiciário em diversas ações, contudo, em todas não obtiveram êxito.

OSMAR STABILE, Presidente do Sport Club Corinthians Paulista, declarou :
Que era sexta-feira, 30 de maio de 2025, ainda no Parque São Jorge e recebeu a ligação do Presidente da maior torcida organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel.
Ele me disse que gostaria de falar comigo o mais rápido possível.
Disse para marcarmos uma conversa na segunda-feira seguinte, ele então perguntou se não poderia ser no sábado, dia 31/05/2025 às 16h, eu disse que sim e tudo ficou acertado.
Sábado de manhã, portanto dia 31/05/2025, seguiu em direção ao Parque São Jorge.
Sabia que lá encontraria pessoas dedicadas e profissionais competentes prontos para me auxiliar no que fosse necessário. Afinal, a confiança e o cuidado com a nosso clube são fundamentais para desfrutarmos de cada momento com plenitude e alegria.
Desde o momento em que adentrou ao parque, fui calorosamente recebido por todos os presentes.
O ambiente pulsava com a energia única dos apaixonados pelo Corinthians.
Enquanto caminhava pelo local, não pude deixar de notar a atmosfera acolhedora e cheia de história que envolve o Bar da Torre.
Como muitos de vocês sabem, o Bar da Torre foi palco de um movimento único e marcante na história do clube: a Democracia Corinthiana. Na década de 1980, esse movimento político e social revolucionou a forma como as decisões eram tomadas no Corinthians, defendendo a igualdade e a participação de todos os membros do clube.
Seguindo a minha jornada, rumo ao espetão, sabia que encontraria não apenas mais amigos, mas uma verdadeira família de associados apaixonados por esportes como Basquetebol, Voleibol, Futsal, Tamboréu, Peteca, Tênis, Natação, Bocha e tantos outros.
A diversidade de talentos e a paixão em comum por atividades saudáveis sempre nos uniram e fortaleceram os laços de amizade que temos.
Logo em seguida decidi me encontrar com alguns amigos no tradicional bardo Canindé para um churrasco pós-jogo do Sabadão, todo sábado tem.
A energia estava incrível!
Rimos, conversamos e aproveitamos cada momento juntos.
É sempre maravilhoso poder desfrutar de momentos como esse, onde a amizade e a diversão se combinam de forma perfeita.
Mal posso esperar por nosso próximo encontro para criarmos mais memórias inesquecíveis juntos.
Nem tudo é festa, chegou o momento combinado do encontro com os membros da torcida organizada. O presidente e mais 4 membros.
Foi um encontro no qual pude compartilhar com eles as ideias e metas que tenho para o nosso clube.
Contudo, algo inesperado aconteceu durante o nosso diálogo. Enquanto explicava minhas visões e ouvia atentamente as sugestões deles, fomos surpreendidos pelo som da Sirene e gritos vindos de fora do prédio, entre os gritos cantava-se o hino corinthiano também.
Neste momento de tensão me fez refletir e perceber que nem tudo está sob controle, e que desafios inesperados podem surgir a qualquer momento.
Diante disso, fui perguntado por um membro da torcida organizada, se eu estava preocupado, então respondi estar preparado para enfrentar qualquer adversidade, estou pronto para superar qualquer obstáculo que surgir em meu caminho.
Com a saída dos integrantes da torcida organizada recebi o engenheiro responsável por minha obra particular, assim que começamos a conversar um segurança particular me informou que um grupo de 30 a 40 pessoas lideradas pelo então presidente do Corinthians deposto no último dia 26/05/2025 estavam forçando a entrada para a sala da presidência.
Ele me perguntou o que fazer.
Porém, quando tinha acabado de falar com o segurança, o presidente deposto já estava entrando na sala da presidência. Juntamente com ele 15 pessoas aproximadamente se aproximaram gritando: “Desocupa a mesa da presidência que o verdadeiro presidente chegou. Nós temos uma ordem judicial (Liminar) para reassumir o cargo, assim que ele se aproximou da mesa eu me levantei e estendi a mão para cumprimenta-lo e ele olhando com raiva não me cumprimentou.
Em seguida ele jogou em cima da mesa um papel A4 sem timbre.
No documento apresentado, constava a informação de que o atual presidente do conselho deliberativo do Corinthians estava deposto, e que a primeira secretária do CD estava empossada através de uma vontade própria, afirmando ainda que ela estava tornando todo o rito do estatuto que fora votado e que culminou com afastamento ex-Presidente nulo.
Assim sendo, tratava-se de uma TENTATIVA DEGOLPE EXTREMAMENTE ESDRÚXULO. O qual precisou ser urgentemente esclarecido e combatido por mim e o Secretário do Conselho de Orientação do Corinthians que acabara de chegar.
Eu Disse veementemente, NÃO RECONHEÇOESTE DOCUMENTO.
A pressão aumentou quando me informaram que todos elevadores escadas e acessos estavam desligados e controlados por seguranças deles, vários indivíduos entre eles, Advogados Associados e Conselheiros Trienais, fizeram um círculo na mesa onde eu me encontrava e começaram a exercer pressão psicológica e assédio moral.
Consegui através do meu telefone informar os presidentes dos CD, do Cori e CF o que estava ocorrendo ao mesmo tempo em que recebia muitas ligações de apoio de Conselheiros Vitalícios e Trienais.
As informações acabaram repercutindo nas redes sociais e supreendentemente parte de torcedores liderados pelo ex-presidente da Gaviões da Fiel, vieram a meu apoio, porém foram barrados por seguranças armados na entrada.
Eles me ligaram e solicitaram liberação para subir e eu tentei autorizar, entretanto os seguranças me disseram que receberam ordem do presidente deposto que ninguém subia ou descia sem sua autorização.
Eu disse a eles “subam de qualquer jeito que estou sozinho e pressionado por várias pessoas, preciso de ajuda!”
É crucial que mantenhamos a integridade e a transparência em todas as instâncias da nossa instituição, sobretudo no que diz respeito às decisões e conduções das atividades do Conselho Deliberativo.
Diante dessa situação, faz-se necessário que nos mantenhamos vigilantes e unidos para evitar qualquer tipo de conduta que comprometa a idoneidade.
Demorou algum tempo para a polícia chegar ao quinto andar. Assim que chegaram, foram conversar comigo e solicitaram que todos nós desocupássemos o andar imediatamente.
No entanto, informei-lhes que eu não poderia sair naquele momento, pois estava empossado como presidente interino do clube, que eu teria que sair de lá por último de todos, que eu devia após a desocupada pelos invasores desligar o ar condicionado e luzes e também fechar as portas e manter seguro o local.
Expliquei que, como presidente interino, eu era o responsável por tudo que existia no Corinthians naquele momento, e que, portanto, minha permanência no local era necessária para assegurar a integridade e a administração adequada das atividades.
Ressaltei que minha posição conferia a mim a responsabilidade de gerenciar e proteger o patrimônio e os interesses do clube, e que qualquer ação deveria respeitar essa condição.
Enfatizei também a importância de manter a ordem e o respeito durante todo o processo, para que pudéssemos resolver a situação da melhor maneira possível e com o mínimo de transtornos.
Entendo que a chegada da polícia e o pedido de desocupação causaram preocupações entre os presentes, mas acredito que minha postura e explicações contribuíram para uma melhor compreensão do contexto, evitando qualquer tipo de conflito desnecessário.
Pelo que pude entender, os invasores, que estavam sob a coordenação do ex-presidente, tinham como principal objetivo tomar controle da cadeira da presidência.
Essa ação não se tratava apenas de um protesto ou manifestação pacífica, mas sim de uma tentativa clara e organizada de usurpar um espaço de comando simbólico e de poder.
Além disso, esses invasores trouxeram consigo equipamentos para fotografar e filmar o ex-presidente durante o momento em que ele tomaria posse.
Essa intenção evidencia que o ato não foi apenas uma invasão comum, mas uma estratégia cuidadosamente planejada para registrar imagens que pudessem ser utilizadas posteriormente para fortalecer uma narrativa ou para fins de manipulação política.
É importante destacar que esses aparatos tais equipamentos foram levados até o quinto andar do prédio por intermédio dos invasores, o que demonstra a extensão e a profundidade desse ato.
Com a chegada do policiamento do Choque, o clima ficou muito preocupante entre os presentes. A tensão aumentou consideravelmente, trazendo um ambiente que poderia facilmente escalar para algo mais grave.
Diante dessa situação, tomei a iniciativa de conversar com a Comandante responsável e sugeri que fosse solicitado ao policiamento de Choque que se retirasse temporariamente do local.
Minha orientação foi que eles aguardassem o andamento das negociações em um local próximo, sem interferir diretamente no ambiente que já demonstrava estar sob controle.
Acredito que essa medida foi necessária para evitar um desgaste maior e para preservar a segurança de todos os envolvidos.
Após diversas tentativas infrutíferas por parte da Comandante do policiamento para solicitar que o Ex-Presidente e seu acompanhante saíssem do recinto, a situação não foi resolvida.
A Comandante, diante da recusa persistente dos indivíduos em deixar o local, solicitou minha intervenção para que a situação fosse normalizada.
Me aproximei dele e disse: “Ex-Presidente, tenho uma saída para você, podemos conversar reservadamente nasala ao lado, somente você e eu?”. Ele prontamente atendeu e entramos na sala ao lado da Presidência.
Durante essa ocasião, ao me dirigir para falar com ex-Presidente, tomei a precaução de solicitar à comandante que posicionasse dois policiais ao lado da cadeira do presidente.
Essa medida foi adotada com o objetivo de garantir a segurança e assegurar que ninguém pudesse se aproximar de forma inesperada ou tentar algum tipo de ação intempestiva e ocupar a Cadeira da Presidência.
PRIMEIRAS PALAVRAS QUE DISSE: “Ex-PRESIDENTE TOMA JUÍZO, VOCÊ TEM IDEIA A EXTENSÃODESSA SITUAÇÃO QUE VOCÊ ACABA DE CAUSAR?”
ELE SOMENTE ME RESPONDEU: “EU NÃO QUERO SAIR DO CORINTHIANS COMO LADRAO!”
EU DISSE SER UM PROBLEMA PARA ELE RESOLVER NA POLICIA OU NA JUSTIÇA.
CONCLUINDO EU DISSE “SAIA DA SALA E CHAMA SEU PESSOAL E VAI EMBORA, É MELHOR PARA TODOS”.
ELE SAIU DA SALA E DESCEU PARA O TÉRREO.
DE LÁ TODOS FORAM ATÉ A DELEGACIA MAIS PRÓXIMA.”
À luz das ponderações lançadas, oferta-se o presente RELATÓRIO FINAL, para a criteriosa apreciação de Vossa Excelência bem como análise e manifestação do douto representante do Ministério Público.
No mais, coloca-se esta Autoridade Policial à disposição para ulteriores providências de polícia judiciária que eventualmente se fizerem necessárias.
Termos em que pede deferimento
São Paulo, 29 de setembro de 2025.
CESAR ANTONIO SAAD
Delegado de Polícia

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