Não importa de onde vem o dinheiro – por Marcio Braga

Do Terra Magazine


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Presidente do Flamengo se surpreende com relatório  


Terça, 11 de setembro de 2007, 14h42  


Alexandre Xavier, de Londres


Especial para Terra Magazine 


Ernani Alves/Terra


“Oi, meu filho!” – O presidente do Flamengo, Márcio Braga, comenta as investigações da Operação Perestroika 


Segunda-feira, embaixada brasileira em Londres. Vinhos, caipirinha e cerimoniosos pães-de-queijo. No meio dos convidados e jornalistas que estão na vernissage da exposição do fotógrafo Sebastião Salgado, está Márcio Braga, o simpático presidente do Clube de Regatas do Flamengo.


Em decorrência da exposição (que é fraca) e da cerimônia (que é almofadinha), depois de um copo de vinho e outro de capirinha, vou atrás de Márcio Braga bater um papo, apesar de nunca tê-lo visto antes na vida:


– Presidente!


– Oi, meu filho, tudo bem?


– Tudo. O senhor leu a matéria “PF expõe vísceras da parceria Corinthians/MSI”?


– Não! Rapaz, ave… que fofoca!


– Pois é. E lá pelas tantas há uma transcrição de um telefonema do Kia em que ele diz querer investir no Flamengo. O senhor conhece o Kia?


– Sim, o vi uma vez. Nos reunimos porque o Flamengo queria dois jogadores do Corinthians, mas não conseguimos contratá-los.


– Ele nunca disse nada sobre querer investir no clube?


– Comigo nunca teve isso, essa conversa deve ter acontecido com o Hélio Ferraz que se encontrou algumas vezes com ele.


– O senhor sabia que o dinheiro da MSI era lavagem de dinheiro quando eles chegaram ao Brasil?


– Olha, eu quero que as pessoas invistam no meu clube. Se passar pelo Banco Central e for legal, pouco importa de onde vem o dinheiro. Quem são os acionistas da Vale do Rio Doce, por exemplo? Não interessa.


– Bom, o Kia numa conversa com o Ricardinho disse que a MSI iria pagar parte do salário do jogador numa conta no exterior…


– Você tá brincando!? Vixe, rapaz… A coisa tá feia lá, hein? Quem é que vai querer investir no futebol brasileiro desse jeito? Quem vai querer investir no Corinthians?


– Eu não.


– Nem eu. Pra ser sincero, nem no meu clube eu investiria. Do jeito que está agora não investiria. Só no fim do ano, quando o Flamengo virar empresa, aí sim. Essa é a solução do futebol brasileiro.


– Qual o tamanho do buraco que o Corinthians se enfiou?


– Não sei, filho, sinceramente, não tenho idéia.


– O senhor já fez negócio com o Renato Duprat?


– Não, esse rapaz é estranho. Ele não é bem quisto no mundo do futebol…


– Que relação o senhor tem com o Dualib?


– Não dá pra ter relação nenhuma, aquele homem está gagá. Só a neta dele que está lúcida.


 


Nesse momento, a filha de Márcio Braga se aproxima com uma convidada e me afasto em busca de um canapé.


O presidente do Flamengo está em Londres para aprender um pouco com os ingleses sobre administração de estádios, já que o clube da Gávea pretende assumir o Maracanã num futuro próximo.


Antes ainda tenho tempo de perguntar se ele foi ao casamento do Kia no fim-de-semana. Ele responde que não. Mas sei de outras pessoas que foram. Os bastidores do evento (que durou três dias!) eu conto amanhã.

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