A realidade sobre o ‘recorde’ de público da Copa do Mundo dos EUA

O recorde mundial de público de todas as Copas do Mundo, anunciado pela FIFA, merece uma análise menos ufanista e mais baseada nos detalhes que cercam essa conquista.
É verdade que a Copa do Mundo de 2026 ultrapassou a marca de 3,6 milhões de espectadores, superando a edição de 1994 ainda durante a fase de grupos.
A comparação, porém, ignora circunstâncias fundamentais.
Esta é a primeira Copa com 48 seleções e 104 partidas, exatamente o dobro dos 52 jogos disputados em 1994.
Além disso, boa parte dos confrontos é realizada em estádios da NFL, projetados para receber entre 70 mil e 80 mil torcedores, capacidade muito superior à da maioria das arenas utilizadas nas edições anteriores do Mundial.
Comparar números absolutos sem considerar esse contexto é intelectualmente desonesto.
Há outro detalhe que a FIFA evita mencionar.
Em diversas partidas, milhares de ingressos foram distribuídos gratuitamente a estudantes, militares, patrocinadores, entidades parceiras e participantes de programas de relacionamento, numa tentativa de evitar imagens de arquibancadas vazias.
O público contabilizado registra pessoas presentes, não necessariamente ingressos efetivamente vendidos.
Também é preciso lembrar que o modelo de comercialização adotado nos Estados Unidos, baseado em preços dinâmicos, fez com que muitos ingressos fossem colocados à venda por valores tão elevados que diversos setores permaneceram vazios até poucos dias antes das partidas.
Diante da baixa procura, os organizadores foram obrigados a reduzir preços e ampliar a distribuição de cortesias para melhorar a ocupação dos estádios.
Números, quando retirados do contexto, servem mais à propaganda do que à informação.
É exatamente isso que a FIFA faz ao transformar um dado isolado em suposta prova de um sucesso sem precedentes.

